Sociedade

Incêndios: Cerca 10 mil quilómetros de caminhos florestais desobstruídos

8 mai 2026 15:41

A redução do risco de incêndio rural antes do Verão, num ano em que há milhares de árvores caídas devido às tempestades

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Redacção/Agência Lusa

Cerca de 10 mil quilómetros da rede viária florestal foram desobstruídos nas regiões Centro e de Lisboa e Vale do Tejo, revelou hoje o responsável do Comando Integrado de Prevenção e Operações (CIPO), Elísio Oliveira.

“A rede viária florestal existente ascende a mais de 56 mil quilómetros. Foram identificados mais de 12 mil quilómetros a carecer de intervenção, mas, neste momento, temos já aqui um trabalho de cerca de 10 mil quilómetros, efectivamente, desobstruído”, declarou Elísio Oliveira, numa conferência de imprensa, nos Bombeiros Sapadores de Leiria, onde está sediado o CIPO, para fazer um ponto de situação do trabalho desta entidade.

Elísio Oliveira, comandante regional de Emergência e Protecção Civil de Lisboa e Vale do Tejo, ressalvou que não são números absolutos, mas antes “um processo evolutivo”, adiantando que “ascendem a mais de 41 mil [os] hectares de floresta afectada”.

“E poderemos chegar a um ponto de ser maior o número de quilómetros intervencionados do que propriamente a necessidade. É a prioridade que é estabelecida e é a intervenção feita no terreno”, referiu.

O CIPO tem como finalidade a remoção do material combustível acumulado pelas tempestades, a limpeza de áreas críticas, a reabertura de caminhos e a melhoria de acessos.

A redução do risco de incêndio rural antes do Verão, num ano em que há milhares de árvores caídas devido às tempestades, é o que Governo pretende com esta estrutura, que envolve os ministérios da Administração Interna, Defesa Nacional e Agricultura e Mar, cujos titulares também estiveram na reunião de trabalho e na conferência de imprensa que se seguiu.

Integram o CIPO, além da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, Agência de Gestão Integrada de Fogos Rurais, Guarda Nacional Republicana, Liga dos Bombeiros Portugueses e Estado-Maior-General das Forças Armadas.

O comandante do CIPO esclareceu que “o mais urgente, neste momento, é salvaguardar a vida humana” e essa é a prioridade.

“E nesse sentido aquilo que foi feito foi com base em conceitos técnicos e científicos termos a noção de que a primeira prioridade seria a intervenção na desobstrução da rede viária florestal para nos permitir chegar aos diferentes locais”, explicou.

Já o “segundo momento tem a ver com a garantia da segurança naquilo que é o interface urbano-rural, que é junto dos aglomerados e a intervenção para garantir a segurança junto do edificado”, continuou.

“A terceira prioridade tem a ver com as manchas florestais, principalmente aquelas que, perante uma situação de incêndio, poderão afectar este interface urbano-rural”, observou Elísio Oliveira.

Segundo o comandante, estas são as bases “para priorizar a intervenção na área afectada e a intervenção na rede viária florestal”.

Na conferência de imprensa, o ministro da Administração Interna, Luís Neves, garantiu que o CIPO, inicialmente previsto funcionar até 31 de Maio para as regiões Centro e de Lisboa e Vale do Tejo, “não tem fim para terminar”, acrescentando-lhe outra valência se houver “uma situação de agravamento relativamente a incêndios”, de também “trabalhar nessa esfera”.

Dirigindo-se aos autarcas e à população, Luís Neves declarou que “esta estrutura terminará o seu trabalho” quando o tiver “por concluído”.

“Este trabalho de desobstrução, de limpeza, de identificação de riscos (…) vai continuar”, afiançou, reconhecendo que nesta matéria o trabalho levará anos, mas com o CIPO o objectivo é encurtar, “para ter o socorro pronto, para que possa acorrer às populações”.