Sociedade

Região de Leiria une-se e pressiona Governo para abrir Base Aérea de Monte Real à aviação civil

12 mar 2021 14:20

Os subscritores consideram que a abertura da Base Aérea de Monte Real à aviação civil é “uma janela de oportunidade para a região e para o país

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Região defende que aeroporto em Monte Real pode ser, para já, alternativa a Lisboa, depois do chumbo do Montijo
Ricardo Graça

A região de Leiria voltou a reunir-se e tomou uma posição conjunta no sentido de pressionar o Governo a abrir a Base Aérea n.º 5 (BA5) de Monte Real à aviação civil.

Esta união surge na sequência de uma reunião promovida pela Câmara Municipal de Leiria, com as participações do Município da Marinha Grande, Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria, Comunidade Intermunicipal do Oeste, Turismo do Centro de Portugal, Politécnico de Leiria, Nerlei - Associação Empresarial da Região de Leiria, ACISO - Associação Empresarial Ourém-Fátima e Gabinete Económico e Social da Região de Leiria.

“Consideramos que estão reunidas todas as condições para a criação de um aeroporto civil na BA5, manifestando o nosso empenho e parecer favorável para a transformação da infra-estrutura que irá servir o centro do País, sem impactos para as populações, com custos incomparavelmente inferiores e menores impactes ambientais face a outras soluções em estudo”, refere uma nota divulgada pelo Município de Leiria.

Segundo os subscritores, o “Governo deve dar seguimento aos compromissos assumidos relativamente a Monte Real e assumir esta obra como estratégica para o desenvolvimento da Região Centro, que tem sido privada, nas últimas décadas, de relevante investimento público, e para a correcção das assimetrias do País”.

Os subscritores defendem a concretização de um estudo com o “objectivo de clarificar a viabilidade da operação civil, de modo a assegurar o alinhamento entre o interesse de participação de stakeholders e as condições necessárias ao sucesso da solução”.

“Este estudo deverá formalizar o interesse da Força Aérea no alargamento ao tráfego civil e respectivas condições de utilização da base. O Governo deverá garantir o apoio político necessário à viabilização do projecto, quantificando o investimento a ser concretizado”, adiantam.

O encontro entre estas entidades acontece, após os recentes desenvolvimentos em torno do processo de construção de um novo aeroporto de Lisboa e o trabalho que está a ser desenvolvido em defesa da abertura da BA5 à aviação civil.

De acordo com os subscritores do documento, a abertura da Base Aérea de Monte Real à aviação civil é “uma janela de oportunidade para a região e para o país com um impacto estruturante no futuro do desenvolvimento económico da Região Centro e de Portugal”.

Os responsáveis recordam que, em 2017, os Municípios de Leiria e da Marinha Grande encomendaram à consultora Roland Berger os estudos "Análise do potencial de tráfego Aéreo civil do Aeroporto de Monte Real" e o "Estudo de viabilidade da abertura do Aeroporto de Monte Real ao tráfego civil", que evidenciaram as “excelentes condições do aeroporto de Monte Real”.


“A existência da Base Aérea permite que a utilização civil possa ser concretizada no curto prazo, preparando, desse modo, uma resposta rápida para a retoma do turismo nacional, e servindo como unidade de apoio ao Aeroporto Humberto Delgado até à construção de um novo aeroporto, podendo de igual modo servir de apoio à infraestrutura do Porto em semelhantes circunstâncias.”


Além disso, a localização da BA5 “apresenta excelentes acessibilidades com ligação às principais rodovias a partir da A17, possibilitando a deslocação para Norte (A29 e A1), para Sul (A8 e A1) e para o Interior (A14 e A25), além de poder vir ainda a ser mais potenciada, caso seja rentabilizada a Linha do Oeste com ligação à Linha do Norte”.

“A Base Aérea de Monte Real encontra-se a escassos 20 quilómetros do Santuário de Fátima, que representa um potencial de 400 mil a 500 mil passageiros por ano, que garantem a sustentabilidade da infra-estrutura”, destacam.

Os subscritores lembram também as afirmações do primeiro-ministro António Costa, em Setembro de 2019, quando se comprometeu com a solução Monte Real, num evento em Leiria.