Sociedade

Realizadora da Marinha regista na China animais em vias de extinção

15 mar 2019 00:00

Carolina Rodrigues colaborou com a organização ambiental Greenpeace Pequim

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Daniela Franco Sousa

Carolina Rodrigues é natural da Marinha Grande, licenciou-se em Publicidade e Marketing, em Lisboa, mas é na China que a encontramos.

Carolina tem 35 anos, os últimos dos quais vividos a trabalhar em documentários de carácter ambiental e de protecção animal. Mulher de causas, já colaborou com a organização ambiental Greenpeace Pequim e agora trabalha numa ONG chinesa que iniciou uma campanha contra a construção de uma central hidroeléctrica na província de Yunnan, que está a ameaçar o raro pavão verde.

Carolina começou o seu percurso académico com uma licenciatura em Publicidade e Marketing pela Escola Superior de Comunicação Social, que concluiu em 2006, no Instituto Politécnico de Lisboa. Seguiram-se dois anos como copywriter na agência de publicidade Winicio, ainda em Lisboa, até que, entre 2009 e 2012, decidiu trocar a capital por Macau.

Passou os primeiros dois anos a trabalhar como freelancer na série documental Olhar Macau, ao mesmo tempo que se iniciou no desenvolvimento dos seus primeiros projectos de fotografia, vídeos e documentários. Em 2011 e 2012 trabalhou a tempo inteiro como operadora de câmara e editora de vídeo no casino The Venetian. O bichinho do documentário instalou- se e é em Pequim que encontramos Carolina entre 2012 e 2017.

O primeiro ano foi dedicado exclusivamente a estudar Chinês. No segundo ano começou a trabalhar a tempo inteiro para o canal BON, onde colaborou dois anos. Os últimos dois anos de Pequim foram de trabalho como freelancer, a produzir videos para vários clientes.

E foi ainda em Pequim que a realizadora começou a trabalhar em projectos ligados à protecção ambiental, em parceria com a Greenpeace Pequim.“Fiz filmagem e edição de quatro vídeos com uma produtora chinesa e o último desses vídeos foi sobre o ameaçado macaco de nariz arrebitado de Yunnan (rhinopithecus bieti)” conta Carolina, referindo-se àquela espécie sinalizada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

A partir de 2017, Carolina, em parceiria com Wong Kei Cheong, aceitou o convite de Xi Zhinong, fundador da Wild China Film (organização que visa sensibilizar a população e as autoridades para a protecção da vida selvagem) e os dois passaram a trabalhar na cidade de Dali (provincia de Yunnan).

Carolina tem-se dedicado desde então exclusivamente à produção de documentários sobre natureza e vida selvagem. Juntamente com Kei, está envolvida em projectos associados a espécies ameaçadas pela caça ilegal ou pela destruição do habitat, como o faisão-esplêndido, (lophophorus lhuysii) ou o pavão verde.

É um trabalho “exigente”, pois carece estar sempre à procura dos animais, que estão em movimento. É preciso perceber o que comem, em que tipo de árvore pode estar esse alimento, ou encontrar os ninhos, quando se trata de pássaros, refere Kei, que durante a noite dorme em tendas camufladas e, de manhã, fica à espera e em silêncio.

Entretanto, “foi iniciada a campanha de proteccao do Pavão Verde pela nossa ONG, em conjunto com outras duas ONGs chinesas e o Kei está responsável pela realizacão do documentário sobre este projecto”, adianta Corolina.

Trata-se da construção de uma central hidroeléctrica no rio Jiasa, no curso superior do rio Vermelho, a Sul da província de Yunnan, que deverá elevar o nível da água daquela região montanhosa até aos 675 metros de altitude. Kei explica que as organizações ligadas à conservação da vida selvagem defendem que a conclusão desta estrutura representa uma ameaça à biodiversidade da região e sobrevivência de espécies como o pavão verde (pavo muticus), uma ave originária da China, que integra a lista vermelha de espécies ameaçadas da IUCN.

Apesar da distância, Carolina manifesta-se preocupada com os mais recentes dramas que têm afectado o Pinhal do Rei. “É verdade que o Governo não limpa as matas e que tem de se investir seriamente na protecção florestal, que há madeireiros criminosos à solta que deviam era passar o resto da vida em 'pinhais de trabalho forçado' a plantar o que queimaram.

Mas os 'fogos selvagens' (wildfires) não acontecem só por cá, são um problema cada vez mais corrente a nível mundial. São na sua maioria iniciados por pessoas e acelerados pelas alterações climáticas, que fornecem os ingredientes ideais à rápida propagação do fogo: longos períodos de seca, temperaturas altas e ventos fortes”, salienta Carolina.

“As alterações climáticas não só aumentam a probabilidade de incêndios, como a sua intensidade, e todos nós temos culpa nisto”, defende a rea

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