Viver
Primeira apresentação Fontes Sonoras de 2026 para descobrir hoje nas Fontes
Ciclo de residências artísticas junto ao rio Lis começa com proposta do português Gil Delindro
Também o território onde brota o rio Lis aparece na lista de lugares castigados por um inverno especialmente rigoroso, debaixo de chuva e vento. O artista Gil Delindro encontra-se em residência na aldeia para a abertura da temporada de 2026 do ciclo Fontes Sonoras e nos últimos dias tem estado a ajudar a cuidar da nascente e a observar o que a Natureza deixa pelo caminho após a tempestade, como ramos e troncos que se tornam parte da escuta no processo de criação.
A apresentação ao público acontece este domingo, 1 de Março, pelas 15:30 horas, com ponto de encontro na Associação Cultural e Recreativa Nascente do Lis, nas Fontes.
A prática artística de Gil Delindro parte muitas vezes da pesquisa de campo – explica a Omnichord, que dinamiza o Fontes Sonoras – e explora temas ligados à ecologia, à biodiversidade e à relação entre som, matéria e território.
Acompanhando diferentes estações – Inverno, Primavera e Outono –, o ciclo de residências convida artistas a reflectir o som como ferramenta de leitura da paisagem e das interacções entre humano e ambiente.
De acordo com a Omnichord, Gil Delindro é um dos nomes portugueses com maior reconhecimento internacional na área da arte sonora e no cruzamento entre som, escultura e ecologia.
“Tem-se centrado, ao longo da última década, na pesquisa de campo e na leitura crítica da paisagem”, adianta a organização. “O seu trabalho parte frequentemente da captação sonora, da observação directa e do contacto prolongado com contextos naturais diversos, da floresta amazónica a glaciares, desertos e parques naturais, procurando activar relações sensíveis entre som, matéria e lugar”.
Dedicado à escuta, experimentação e criação sonora em diálogo com o território e a comunidade da aldeia das Fontes, o ciclo de residências com curadoria de Raquel Castro e direcção artística de Gui Garrido começou no final de Fevereiro e decorre até Novembro.
Entre 12 e 19 de Abril, o Fontes Sonoras recebe Matilde Meireles, artista portuguesa cuja prática cruza escuta profunda, composição e investigação sobre memória, território e percepção sonora.
A fechar a temporada de 2026, entre 25 de Outubro e 1 de Novembro, o projecto acolhe Kathy Hinde, artista e compositora britânica cujo trabalho explora fenómenos naturais, sistemas ecológicos e processos colaborativos entre humanos e não-humanos.
Esta é a segunda edição do Fontes Sonoras, que em 2025 levou às Fontes o austríaco Andreas Trobollowitsch e as duplas Inês Tartaruga Água e Xavier Paes e Rie Nakajima e Pierre Berthet.