Economia

Preço não demove portugueses de embarcar em férias da Páscoa

3 abr 2026 09:00

Embora o preço das viagens tenha subido, por influência do aumento do custo do combustível, os portugueses continuam a viajar e têm férias agendadas para a Páscoa.

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Reservas aumentaram 7% face ao período de Páscoa de 2025
Fotografia: Arquivo Jornal de Leiria
Daniela Franco Sousa

Embora o preço das viagens tenha subido, por influência do aumento do custo do combustível, os portugueses continuam a viajar e têm férias agendadas para a Páscoa, tendência que também se verifica na região.

Edna Sousa, responsável pela loja Q’Viagem da Marinha Grande, conta que a procura se mantém ao nível do ano passado.

Os clientes estão habituados a reservar as férias com antecipação, pelo que ainda não sentiram o aumento dos custos.

Destinos de praia, como Cabo Verde e Brasil estão entre os mais requisitados, observa a responsável. “Mas tivemos duas desistências por causa da guerra no Irão, de pessoas que pretendiam viajar para o Dubai.

Já não conseguiram encontrar destinos ao mesmo preço do que teriam se tivessem reservado há mais tempo e desistiram”, explica Edna Sousa. Este retrato é partilhado por diversas lojas de viagens consultadas pela Lusa, por todo o País.

Na Solférias, por exemplo, Sónia Regateiro, responsável de operações, conta à agência noticiosa que “os preços estão mais elevados, dado o aumento geral de inflação dos serviços aéreos e hoteleiros e recentemente fruto do aumento de taxas de fuel por parte das companhias aéreas”.

Apesar disso, regista um acréscimo nas reservas, mais 7% face ao período da Páscoa de 2025.

Operadores turísticos e agências de viagens contactadas pela Lusa também referem que os portugueses optam por destinos de sol e praia, como Cabo Verde, Caraíbas e Brasil, além de aproveitarem esta pausa para fazerem outro tipo de viagens na Europa ou visitar destinos diferenciados, como Japão, Austrália e Peru.

Em sentido inverso, o inquérito realizado pela Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) junto de 394 empreendimentos (entre 9 a 20 de Março) demonstrou que as reservas nas unidades portuguesas para o período da Páscoa decorrem “a meio gás”, com 24% dos hotéis a reportarem abrandamento ou cancelamentos devido à guerra no Médio Oriente.

Segundo a AHP, o inquérito evidencia que “a instabilidade no Médio Oriente começa a refletir-se no sector”: embora 60% das unidades indiquem que o ritmo de reservas se mantém “sem alterações significativas”, 24% dos hoteleiros identificam um abrandamento nas reservas ou um aumento de cancelamentos, enquanto 16% referem uma subida da procura, “associado ao desvio de fluxos turísticos de outros destinos”.

O número

70%

A Associação de Hotelaria de
Portugal salienta que o mercado
interno se mantém como “um
dos principais motores da
procura” para o fim-de-semana
da Páscoa, sendo apontado por
mais de 70% dos inquiridos