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Palavra de Honra - Filipa Fróis, estudante e mentora do projecto Leiria Inspira

16 jan 2020 12:51

Não saber o que o futuro me reserva tranquiliza-me

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Filipa Fróis, estudante e mentora do projecto Leiria Inspira
Ricardo Graça

- Já não há paciência... para os devaneios do Donald Trump e para toda esta confusão que, aos poucos, ele espalha por todo o mundo. Será possível que estejamos todos a ficar meios malucos, ao ponto pensarmos que iniciar uma 3ª Guerra Mundial é o que vai resolver os nossos problemas?

- Detesto... comer sopa fria. É dos meus pratos preferidos, e eu não consigo sequer pensar na ideia sem me dar volta ao estômago. É algo que eu considero simplesmente inexequível.

- A ideia... de não saber o que o futuro me espera tranquiliza-me. Se eu soubesse exatamente como iria ser a minha vida daqui para a frente, não parava de pensar no assunto e não iria aproveitar rigorosamente nada, por isso acho que a incerteza toda das voltas que a vida pode dar e dos rumos que eu posso vir a tomar, de certa forma, deixam-me calma (e claro, um pouco ansiosa!).

- Questiono-me... se algum dia poderei levar os meus filhos a visitar um outro planeta qualquer e passar lá uns dias de férias. Não acredito que nós, habitantes terráqueos, sejamos as únicas formas de vida em todo o vasto universo. Para além disso, temos de admitir que ir passar um fim de semana assim seria algo do outro mundo, literalmente!

- Adoro... inspirar as pessoas, tanto quanto adoro que elas me inspirem a mim. É bom ouvir os feedbacks do público e muitos “Obrigado por isto”, apenas por ter conseguido juntar algumas pessoas normais, a             contarem as suas histórias e a procurarem motivar outras pessoas normais. Acho que tudo isso me mostrou algo que eu já adorava fazer mas que ainda não sabia bem o que era.

- Lembro-me tantas vezes... de não saber bem o que responder quando me perguntavam “O que queres ser quando fores grande?”, de tal maneira que dava uma resposta diferente todas as vezes. Se hoje me fizerem a mesma pergunta, acho que ainda não sei muito bem o que responder.

- Desejo secretamente... que acabem com tudo o que seja rede social e que as pessoas voltem a falar umas com as outras cara a cara. Acho que chegámos a um ponto em que vamos ter de regredir em termos               tecnológicos para podermos voltar a saber estar e conseguir conviver uns com os outros.

- Tenho saudades... de ser criança e não ter preocupações com nada. As poucas coisas que me davam alguma "dor de cabeça" era pensar se os meus primos me deixariam jogar com eles à bola ou se a minha avó me iria entregar aos meus pais depois de saber o que eu e o meu irmão fazíamos às suas velharias.

- O (maior) medo que já tive (e ainda tenho)... é o de perder as memórias e a capacidade de raciocínio. O nosso cérebro consegue arquivar o equivalente a 1000 terabytes de informações e o que mais me                      assusta  é um dia ele entrar em colapso e eu perder a capacidade de me lembrar de como me divertia com os meus amigos, dos momentos que passava com a minha família ou de como sabia de trás para a frente a saga de filmes do Star Wars. No fundo, temo que eu própria não saiba nem quem sou nem o que me define.

- Sinto vergonha alheia... quando, numa aula, o professor decide fazer perguntas à pessoa mais distraída. Para não querer parecer mal e dar parte fraca, a pessoa tenta responder e sai-lhe completamente ao                  lado. Por vezes fico mesmo a pensar “Alguém que o salve” porque se fosse o meu caso, gostaria que alguém interviesse e me tirasse do pesadelo.

- O futuro... é agora. Perdemos muito tempo a pensar no que vamos fazer daqui a 5 anos ou na quantidade de coisas que queremos fazer nos próximos tempos, que acabamos por nem aproveitar o que está à nossa volta. Às vezes questiono-me “Se amanhã me acontecer alguma coisa, aproveitei o dia de hoje da melhor maneira possível?”, e a verdade é que, infelizmente, a resposta a esta pergunta é quase sempre a mesma.

- Se eu encontrar... a Filipa de 101 anos, espero que ela continue bem disposta e com um sorriso na cara, com ou sem placa dentária. Espero que tenha vivido a vida ao máximo, que tenha feito o que estava ao seu alcance pelos outros e que tenha sido mais feliz do que alguma vez imaginou ser. Tudo isto enquanto faz pára-quedismo por cima da Grande Barreira de Coral, acabando por aterrar num iate e preparar-se para ir mergulhar com tubarões.

- Prometo... fazer qualquer coisa que mude um bocadinho o mundo em que vivemos. Com pequenas ações como ajudar a nossa vizinha idosa a atravessar a estrada ou levar um saco reutilizável quando vamos às compras, conseguimos todos ser pequenos heróis e melhorar um bocadinho toda esta confusão em que vivemos.

- Tenho orgulho... nas pessoas. A verdade é que não se ouve dizer isto todos os dias mas ainda acredito muito no quão solidárias e preocupadas as pessoas conseguem ser face a situações que muitas vezes não lhes dizem respeito diretamente. O quão bondosas demonstram ser ao darem de coração, sem esperar nada em troca, é algo que me faz querer ser uma pessoa melhor.

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