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Os milagres acontecem na pior piscina do País
Fotografia: Ricardo Graça

Desporto

13 Julho 2017

Os milagres acontecem na pior piscina do País

Inaugurada há quatro décadas, a piscina municipal da Marinha Grande há muito que está obsoleta e sem condições para a natação de competição. Ainda assim, o Náutico continua a formar alguns dos melhores atletas do País.

“É o senhor do Jornal de Leiria? Escreva que isto não é uma piscina, é um tanque sem condições. Imagine o que estes miúdos poderiam fazer se tivessem condições decentes para treinar...”

Mal chegámos à piscina municipal da Marinha Grande, o recado das mães estava dado. Inaugurada em 1977, num projecto pioneiro a nível nacional que tinha como objectivo ministrar aulas de natação aos alunos das então escolas primárias do concelho, a verdade é que aquela infra-estrutura é hoje totalmente “obsoleta”.

Se no site da autarquia acedermos à Carta Desportiva Municipal, de 2000, rapidamente percebemos que para o Parque Desportivo Municipal da Amieirinha, além do estádio, há muito está prevista a construção de uma piscina e também de um pavilhão multiusos.

No entanto, a obra jamais foi executada e os jovens atletas do Desportivo Náutico da Marinha Grande continuam a ter de se contentar com o tal tanque.

Enquanto a cidade ficou parada nos anos 70 do século passado, nos outros concelhos foram surgindo espaços novos, mais modernos e acima de tudo espaçosos. Pode até dizer-se que se trata de concorrência desleal.

Ainda assim, encolhidos, com não mais do que cinco pistas, ainda por cima 20 centímetros mais estreitas do que o normal e onde por vezes chegam a estar 15 atletas ao mesmo tempo, os resultados apareceram, continuam a aparecer e são, no mínimo, surpreendentes.

Pedro Lopes entrou naquela piscina com seis anos, como grande parte dos miúdos da terra. Aprendeu a nadar, foi atleta, depois monitor de natação, mais tarde treinador e hoje é o coordenador da competição e responsável técnico pela piscina.

Sabe as limitações que o espaço impõe ao seu trabalho, mas não é por isso que esmorece ou deixa de ser exigente com todos os que trabalham naquelas águas.

Com rigor e método faz-se das fraquezas forças e o nível competitivo é elevado, como comprova a presença de Giovanna Vargas no Europeu de juniores que decorreu há duas semanas, em Israel, ou o recorde nacional de infantis dos 100 metros costas de Ricardo Silva, no mês passado.

Além destes, há vários outros atletas que já averbaram títulos e medalhas nas grandes competições nacionais, como Mónica Domingues, campeã nacional júnior dos 200 metros costas no Campeonato Nacional de pista curta desta temporada, Viktor Kot, Tomás Oliveira, André Silva, Rui Pires, Ana Costa, Bárbara Teodósio ou Pedro Duarte.

“Tem que ver com uma boa gestão e uma boa escola de natação, porque sem esses factores seria impensável, com estas condições, chegar a um nível razoável”, explica o responsável.

Mas não tem sido fácil lá chegar. O pessoal da competição prepara-se a sério e a verdade é que andam a tropeçar uns nos outros. “Ter de trabalhar sem espaço numa modalidade com toda esta intensidade não é tarefa fácil”, admite Pedro Lopes, e só com rigor e método é possível chegar a bom porto.

Os atletas “sabem o que estão a fazer” e “por que razão estão a fazer”. “O planeamento tem de ser muito bem efectuado, porque nada pode falhar, sob o risco de ninguém se entender dentro de água.” Ainda para mais, a natação de competição restringe-se, por norma, a ocupar apenas duas pistas da piscina municipal da Marinha Grande.

As opções de treino ficam naturalmente condicionadas e os treinadores vêem-se obrigados a adaptar os exercícios. “Infelizmente, não podemos fazer os modelos de treino que deveríamos fazer para desenvolver a actividade de acordo com as potencialidades dos atletas. Há muitas metodologias que gostaríamos de aplicar, comprovadas cientificamente, mas temos esta limitação. Temos de ir ajustando e fazendo o melhor possível para que seja exequível.”

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Miguel Sampaio
Redacção Miguel Sampaio miguel.sampaio@jornaldeleiria.pt






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