Sociedade

Mulher que tentou matar companheiro em Porto de Mós é julgada em Leiria

21 out 2019 10:00

Mulher de 43 anos disparou três vezes sobre o homem e atirou-lhe com uma pedra na cabeça.

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Jacinto Silva Duro

Uma mulher de 43 anos vai começar a ser julgada pelo colectivo de juízes do Tribunal de Leiria em Novembro acusada de homicídio na forma tentada contra o companheiro, em Porto de Mós.

A arguida está acusada pelo Departamento de Investigação e Acção Penal de Leiria dos crimes de homicídio na forma tentada e detenção de arma proibida, por alegadamente ter tentado matar o seu companheiro com quem residia em Porto de Mós, no dia2 de Janeiro de 2019.

Segundo o despacho de acusação, a suspeita vivia com a vítima há pelo menos dez anos, em Mendiga, concelho de Porto de Mós, e da relação nasceu um filho, actualmente com oito anos.

Em Dezembro de 2018, a mulher quis terminar a relação e ter-se-á munido de uma arma.

No dia 2 de Janeiro de 2019, pela manhã, o casal encontrava-se em casa e a dada altura o homem informou que iria ao centro de saúde de Mendiga e a seguir ao banco.

A mulher disse que o acompanhava e sugeriu que este fosse abrindo o portão, enquanto ela iria buscar o carro.

“Quando o homem se dirigia ao portão, a arguida aproximou-se pelas costas do homem e a cerca de seis metros do mesmo disparou, acertando-lhe na zona escapular esquerda [omoplata]”, refere o despacho de acusação.

“Acto contínuo”, a arguida aproximou-se e quando estava a cerca de três metros do mesmo efectuou novo disparo, acertando-lhe na zona mamária esquerda. Como o homem se tentou proteger com as mãos e braços, um novo disparo da arma feriu-o no antebraço esquerdo.

A vítima tentou esconder-se e entretanto a pistola encravou, o que permitiu que o homem tentasse desarmá-la, envolvendo-se os dois fisicamente.

O assistente conseguiu tirar-lhe a arma e acabou por sentar-se no sofá da sala. “Entretanto, a arguida recolheu no quintal uma pedra” e “bateu-lhe na cabeça”.

Após outros confrontos físicos, a vítima conseguiu chegar à rua e pedir ajuda. “Neste momento, surgiram dois vizinhos a quem o assistente pediu socorro dizendo que a arguida o queria matar.”

A arguida retorquiu dizendo que não era verdade.

“A mulher abandonou o local e colocou-se em fuga” com o objectivo de abandonar o país. Viria a ser localizada pelas 21 horas por inspectores da Polícia Judiciária “na estação do Oriente em Lisboa quando se preparava para embarcar em comboio com destino a Madrid”.

“Sabia a arguida que ao surpreender o assistente surgindo nas suas costas, por duas vezes, efetuando disparo com arma de fogo e atingindo-o na cabeça com uma pedra, atuava insidiosamente, cerceando a possibilidade de defesa do assistente”, refere o Ministério Público.

Segundo o documento, a arguida agiu de “forma calculada, preparando a execução do crime com calma e reflexão, revelando insensibilidade, indiferença e persistência na execução, imperturbável ao facto do assistente ser o seu companheiro e ter com o mesmo um filho”.

Tendo em vista a investigar eventual prática de um crime de violência doméstica da autoria da vítima, foi extraída certidão do auto de inquirição.

A mulher encontra-se em prisão preventiva no estabelecimento prisional de Tires.