Sociedade

Mónica quer ajudar milhões de doentes hemodialisados e em ECMO

5 fev 2021 14:59

Investigadora de Leiria integra equipa que estuda órgãos artificiais

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Mónica Faria tem raízes em Leiria, concelho de onde os avós são naturais
DR
Jacinto Silva Duro

Mónica Faria está a um passo de dar um enorme contributo para que milhões de pessoas possam ver a sua esperança média de vida dar um salto gigantesco.

A investigadora natural de Leiria dedica-se ao desenvolvimento de membranas que aumentem a eficiência de órgãos artificiais utilizados em técnicas de suporte devida, como a hemodiálise ou a agora conhecida técnica de ECMO – Oxigenação por Membrana Extracorporal, tratamento a doentes críticos com falência cardíaca ou pulmonar potencialmente reversível, como a que acontece em consequência da Covid-19, mas não só.

Em Fevereiro de 2020, esta engenheira química de formação tornou-se investigadora no Cefema – Centro de Física e Engenharia de Materiais Avançados, do Instituto Superior Técnico.

Até aí era docente na Universidade de Columbia, nos EUA, cargo que mantinha desde Junho de 2012. Agora, continua a colaborar com a instituição, orientando alunos em matérias interligadas, porém, devido à pandemia teve de começar a fazê-lo à distância de um oceano.

“O nosso grupo de investigação dedica-se ao desenvolvimento de membranas hemocompatíveis para órgãos artificiais utilizados em duas técnicas de suporte vital extracorporal: a ECMO e a hemodiálise.

A primeira permite o suporte de doentes com falência cardiovascular e ou pulmonar e tem sido utilizada recentemente no tratamento de doentes comCovid-19”, explica.  Na ECMO, adianta, o pulmão artificial ou oxigenador assegura a troca de gases através de membranas semipermeáveis entre o sangue do doente e um compartimento gasoso.

“Na hemodiálise, o rim artificial ou hemodialisador assegura a depuração de toxinas e remoção do excesso de água, através de membranas poliméricas que separam o sangue do dialisante”, conta.

“Pensamos que a pessoa hemodialisada fica bem, mas não é bem assim. A hemodiálise convencional apenas remove cerca de 46% das mais de 140 toxinas presentes no sangue. Muitos doentes renais morrem de problemas cardíacos por causa delas.”

Apesar de a técnica ser aplicada há mais de 45 anos, os dispositivos existentes apenas fornecem um suporte temporário e com muitas limitações, nomeadamente ao nível da hemocompatibilidade e da selectividade das membranas.

“Se conseguirmos remover uma só das toxinas que a actual hemodiálise não consegue, já será um grande feito”, diz.

Em busca de melhores resultados, o grupo está a desenvolver “membranas monofásicas híbridas”, através de um novo processo que junta as técnicas de sol-gel e inversão de fases.

Este método permite obter membranas de alto fluxo, cuja capacidade convectiva e difusiva levam à remoção rápida e eficiente de toxinas de elevado peso molecular.

A funcionalização destas membranas à nano escala permite ainda a depuração de toxinas urémicas ligadas a proteínas as quais não são removidas pela hemodiálise convencional.

“Para o pulmão artificial, no nosso grupo foram desenvolvidas membranas assimétricas de poliuretano com dois segmentos flexíveis. As membranas são hemocompatíveis e apresentam elevada permeabilidade ao dióxido de carbono.”

A equipa que Mónica integra estuda, agora, o aumento da taxa de transferência de oxigénio, através da melhoria das condições de circulação do sangue que levam à minimização das resistências à transferência de massa nas interfaces membrana-sangue.

Quis o destino que Mónica Faria nascesse no Malawi, mas as raízes estão em Leiria, concelho de onde os avós são naturais.

Licenciou-se em Engenharia Química, especializou-se em dispositivos biomédicos e trabalhou no laboratório de órgãos artificiais da Universidade de Columbia (EUA), instituição com quem ainda colabora.

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