Login
Esqueci a password

Se esqueceu o seu Username ou a sua Password envie-nos o seu e-mail e receberá os seus dados de acesso por e-mail.

Se não sabe que endereço de e-mail utilizou no seu registo, por favor contacte os nossos serviços através do nosso e-mail assinantes@jornaldeleiria.pt.

Para procurar palavras exactas utilize aspas. Ex: "Castelo de Leiria" "Jornal de Leiria"
Área restrita

A secção que pretende aceder é restrita a assinantes do Jornal de Leiria. Para se tornar assinante vá à área Assinatura.

Se já for assinante da edição impressa, pode registar-se na edição online, sem custos adicionais.

Caso já tenha um registo, efectue login.

Márcio Lopes: "O Brasil deveria ter tido um Bloco de Esquerda durante a sua colonização"
Foto de Ricardo Graça

Gente & Lustre

16 Julho 2017

Márcio Lopes: "O Brasil deveria ter tido um Bloco de Esquerda durante a sua colonização"

Poesia, esquerda caviar, jazz e BTT na Impressão Digital desta semana

Dá-lhe muito trabalho escrever os piores poemas ou é algo que sai naturalmente?
Estive um ano a escrever Os Mais Belos Péssimos Poemas. Escrever péssimos poemas exige dois passos: primeiro, estudar afincadamente os bons poemas dos bons poetas. Depois, esquecê-los. E ter autenticidade na escrita.  

Considera-se poeta ou fingidor?
Não gosto de Fernando Pessoa. Poesia nunca pode ser fingir. Topa-se logo. 

Há mais crime e sexo nos seus versos do que numa telenovela mexicana?
Eu não tenho a culpa da capacidade interpretativa do leitor. Eu limito-me a escrever. O leitor depois é que faz a sua leitura. 

Portugal ou Brasil: quem ganha a copa na poesia?
Portugal. No século XVI, quando Camões escreveu Os Lusíadas, no Brasil só havia índios e uma colonização de exploração de recursos e uma doutrina de tentativa de aculturação. O Brasil deveria ter tido um Bloco de Esquerda durante a sua colonização. 
 
Um poeta português favorito.
António Ramos Rosa, Herberto Helder e Eugénio de Andrade. O poeta tem de ser honesto. E a honestidade sente-se logo à primeira leitura do poema. A metáfora deve ter uma tensão emocional instantânea. Ler um verso, um poema, e sentirmos que algo se transformou. Que nos permitiu um novo olhar sobre as coisas, a vida e nós próprios.    

E, já agora, um brasileiro.
Carlos Drummond de Andrade. Porque foi completo. Romântico, modernista, surrealista. Por vezes, concreto. E escreveu o melhor livro de poesia de todos os tempos, A Rosa do Povo. Retratando a vida precária do Homem no pós-II Guerra Mundial. 

Quem explica melhor o mundo: a Economia ou a poesia? Os poetas ou os economistas?
Quem explica o mundo é Einstein e a Bíblia. A Economia explica a natureza do homem económico, e a melhor solução de vida e de bem-estar num mundo com escassez relativa de recursos. Os poetas não explicam nada. O poeta, quando muito, tenta a hipótese do belo. E, muitas das vezes, falha.  

Mas diria que o Adam Smith é um dos seus escritores preferidos?
Adam Smith mudou o paradigma do pensamento económico. Demonstrou as fragilidades do mercantilismo e criou as bases doutrinárias do liberalismo. Em 1776. 
 
Na internet: já lhe aconteceu ter a mesma opinião do que a maioria ou ser do contra está-lhe no sangue?
Desconfio sempre de duas pessoas ou mais pessoas que têm a mesma opinião. Cheira-me a rebanho. Oiço guizos ao pescoço.  

As pessoas de esquerda tiram-no do sério ou simplesmente não gosta de caviar?
Nunca comi caviar. Mas conheço bloquistas que já comeram. Acho piada ver gente que se diz de esquerda, estar sentada à mesa de bons restaurantes, a beber bons vinhos, e a discutir a fome no planeta. A esquerda não tem fundamentos sustentáveis. É frágil e postiça. Já ouviste falar numa coisa chamada socialismo de mercado?! (rio-me). Sim. Tira-me do sério.

Leia mais na edição impressa ou torne-se assinante para aceder à versão digital integral deste artigo.

Cláudio Garcia
Redacção Cláudio Garcia claudio.garcia@jornaldeleiria.pt






Os comentários são da exclusiva responsabilidade do utilizador