Economia

Investimento de 3,4 milhões de euros em maternidade de bivalves

2 ago 2019 00:00

Projecto da Oceano Fresco no porto da Nazaré.

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Jacinto Silva Duro

A Oceano Azul está a desenvolver no porto da Nazaré uma maternidade de bivalves, investimento de 3,4 milhões de euros, dos quais 1,1 milhões comparticipados pelo programa MAR2020.

O projecto, visitado esta terça-feira pela ministra do Mar, vai contribuir para que o sector da aquacultura atinja, até final de 2020, uma produção de 20 mil toneladas, estimou Ana Paula Vitorino.

Citada pela Agência Lusa, a governante considerou que a maternidade, que irá produzir por ano 200 milhões de sementes de ameijoa, “vem colmatar uma lacuna” ao nível da produção deste produto, actualmente comprado em Espanha, e “alargar a cadeia de valor da aquacultura”.

Durante anos, o sector teve “uma produção estável de 10 mil toneladas” que, segundo a governante, conheceu “um desenvolvimento notável nos últimos três anos” e onde a nova maternidade surge como “uma mais valia” em termos económicos e da “criação de emprego altamente qualificado”.

A maternidade de bivalves, pioneira no país, vai produzir, em tanques com água do mar, sementes de ameijoa ‘rainha’ e ‘macha’ até ao tamanho de três milímetros, para colmar “níveis de produção [natural] reduzidos daquelas espécies”, explicou à Lusa Andreia Cruz, bióloga da Oceano Fresco.

Actualmente em fase de construção, a maternidade deverá iniciar a produção “no primeiro trimestre de 2020” e gerar, anualmente, 200 milhões de sementes de ameijoa e ostras, que serão depois transferidas para uma área de cultivo em mar aberto, ao largo de Alvor, onde até ao final do ano será instalado um viveiro com capacidade para a engorda de 1.600 toneladas daquelas espécies. Este viveiro terá um custo de três milhões e uma comparticipação de 1,5 milhões de euros.

“As duas instalações permitirão à empresa cobrir o ciclo completo”, numa abordagem integrada que permitirá seguir os bivalves desde a sua criação à comercialização para depuradoras e, numa segunda fase, para o mercado internacional. As duas instalações criarão, no total, duas dezenas de empregos, parte dos quais qualificados e virados para a investigação.

A ministra visitou também as obras da nova unidade de transformação da Luís Silvério e Filhos (ver caixa) em Valado dos Frades.

No final, não regateou elogios aos promotores de ambos os projectos. “É impressionante, o nosso país está a dar o salto e isso só nos pode deixar a todos orgulhosos”, salientou Ana Paula Vitorino.

 

Valado dos Frades
Nova fábrica para transformar peixe


Ana Paula Vitorino foi também ver os trabalhos da nova unidade de transformação de pescado da Luís Silvério & Filhos, investimento de 16 milhões de euros, dos quais 6,5 milhões comparticipados pelo MAR2020.

A nova fábrica, na Área de Localização Empresarial de Valado dos Frades, aposta em novas formas de apresentação do produto, de que é exemplo o peixe seco processado em ambiente industrial.
A unidade vai transformar ainda espécies com baixo valor comercial, como carapau, cavala, verdinho ou salema, e terá capacidade para produzir 15 mil toneladas de congelados por ano.
O projecto surgiu da necessidade de apresentar ao mercado novos produtos, de reforçar a qualidade e de aumentar a competitividade e as exportações. Conforme noticiado em Fevereiro pelo JORNAL DE LEIRIA, com a nova fábrica a empresa da Nazaré poderá, num prazo de dois anos, aumentar as exportações dos actuais 10% para cerca de 30%.
O objectivo é, por um lado, ganhar quota de mercado nos países onde já marca presença e, por outro, chegar a novos destinos.