Economia

Investimento de 10,7 milhões para produzir microalgas para alimentação

13 abr 2019 00:00

Projecto Algavalor é liderado pela Secil e vai desenvolver-se no complexo Algafarm, em Pataias

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Raquel de Sousa Silva

É um dos “exemplos do que de melhor se faz” ao nível da produção de microalgas no mundo e foi visitada esta segunda-feira pela ministra do Mar, Ana Paula Vitorino.

O complexo Algafarm, em Pataias, conta actualmente com uma área de 1.300 metros cúbicos onde são produzidas 80 toneladas de microalgas e vai continuar a crescer. As previsões apontam para a produção de 130 toneladas nos próximos anos.

Foi em 2016 que arrancou a produção industrial de microalgas para fins industriais, cosmética, substituição de combustíveis fósseis e, a longo prazo, para a alimentação animal e humana, num projecto liderado pela Secil, através da Allmicroalgae. No complexo já foram investidos mais de 15 milhões de euros.

Esta segunda-feira, Júlio Abelho, director-executivo da área de microalgas, apresentou alguns dos projectos em curso, o mais recente dos quais é o Algavalor. O objectivo é a produção de microalgas para alimentação, cosmética, alimentação animal e biofertilizantes. Mas usando para isso tecnologias amigas do ambiente.

Segundo explicou o responsável, pretende-se aferir a viabilidade, técnica, económica e ao nível da qualidade do produto final, do sequestro de CO2 nas culturas de microalgas, com a introdução dos gases de emissão numa terceira fase.

O projecto vai ser desenvolvido por um consórcio liderado pela Secil (que irá investir quatro milhões de euros) e que integra outras 20 entidades, entre empresas e instituições de ensino superior (o Politécnico de Leiria é uma delas).

No total, o projecto, que terá apoios públicos, implica um investimento de 10,7 milhões de euros e o Governo já aprovou a minuta do contrato. Considera-se que o Algavalor “contribui directamente para o aumento do volume de despesas em I&DT (inovação e desenvolvimento tecnológico) do sector empresarial, prevendo-se, por parte das empresas que integram o consórcio, um investimento em I&D (investigação e desenvolvimento) de 4,8 milhões de euros no ano pós-projecto”, com particular destaque para a líder do consórcio.

O projecto Algavalor “deverá contribuir para reforçar a competitividade internacional das empresas que o integram e permitir-lhes entrar em novos mercados”, considera o governo, adiantando que à Secil trará um “aumento significativo da sua capacidade produtiva”, o que lhe permitirá “comercializar biomassa a preços muito mais competitivos, mantendo a qualidade premium que a diferencia e possibilitando o aumento significativo da sua quota nos mercados e segmentos em que está presente e o acesso a novos mercados”.

Em declarações ao JORNAL DE LEIRIA, Júlio Abelho explicou que o complexo Algafarm é “das poucas unidades no mundo que produzem microalgas em fermentação”. Adiantou que os produtos que a Allmicroalgae produz começaram a chegar ao mercado com alguma expressão no ano passado, e que nesse período a facturação atingiu os 500 mil euros.

“Este ano queremos atingir um milhão de euros”. O complexo assegura 35 postos de trabalho, “a maioria qualificados”, e uma forte ligação às instituições de ensino superior.

Depois deste responsável ter apontado a “escassez de regulamentação” como um dos “principais aspectos negativos” com que se debate a empresa, a ministra do Mar disse que o governo irá “trabalhar no sentido de criar melhor regulamentação para proteger e incentivar este tipo de investigação e de indústria”.

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