Sociedade

Cidades unidas, cidades vencedoras

23 ago 2019 00:00

Promover o turismo, valorizar as tradições, partilhar conhecimentos e recursos são algumas das vantagens encontradas pelas cidades e aldeias que passaram a trabalhar a rede no nosso território

Daniela Franco Sousa

São inúmeras as cidades e as aldeias do distrito de Leiria que passaram a trabalhar em conjunto, integrando diversos tipos de rede. Muitas das vezes, essas ligações estendem-se além dos limites da nossa região, envolvendo municípios de vários pontos do País e até de outras nacionalidades. Quem trabalha em conjunto admite que o sucesso é maior quando se firmam parcerias do que quando se batalha individualmente.

.A título de exemplo, identificamos a Rede das Aldeias de Calcário, a Rede das Aldeias do Xisto, também a Rede das Cidades e Vilas Cerâmicas, a Rota de Abadias Cistercienses, a Rede Cidades e Vilas de Excelência ou a Rede Europeia das Cidades das Cidades Termais.

Para os territórios que as integram, estas uniões fazem efectivamente a força. A partilha de conhecimentos, de recursos financeiros, a promoção do turismo ou de um saber fazer comum às várias cidades, são algumas das vantagens apontadas pelos agentes que compõem estas estruturas.

Rede das Aldeias do Calcário

Os seis municípios que integram a Associação de Desenvolvimento Terras de Sicó estão a trabalhar na criação da Rede das Aldeias do Calcário. Com a criação desta estrutura, esperam valorizar este produto endógeno e potenciar o turismo.

“Sendo o calcário uma referência comum aos seis concelhos e as construções em calcário uma das outras referências, achámos como algo estratégico para o futuro desta região, que tem outras valências, mas onde esta não está devidamente explorada, constituir esta rede como forma de valorização desse património único e como forma de união e de promoção turística e cultural dessas aldeias", adiantou à Lusa Nuno Moita, presidente da Câmara de Condeixa-a-Nova.

O autarca explicou que, numa primeira fase, o projecto engloba uma aldeia por cada um dos concelhos da Terras de Sicó: Casmilo (Condeixa-a-Nova), Chanca (Pene-la) e Cotas (Soure), no distrito de Coimbra; e Granja (Ansião), Poios (Pombal) e Ariques (Alvaiázere), distrito de Leiria. Sendo que outras seis aldeias são seleccionadas para uma segunda fase: Marques (Alvaiázere), Aljazede (Ansião), Poço (Condeixa- a-Nova), Aldeia do Ferrarias (Penela), Aldeia do Vale (Pombal) e Pombalinho (Soure).

"Essas aldeias terão de ter áreas de reabilitação urbana no sentido de as regras de construção serem bem definidas, utilizando o calcário como factor distintivo para não perderem a sua característica e identidade", esclareceu o responsável, realçando o papel dos particulares na valorização do seu património e das câmaras.

Depois, estas aldeias vão contar uma unidade de apoio à visitação, feita em calcário, que serve como elemento identificador da integração na rede.

Quanto à Terras de Sicó, com sede em Redinha, no concelho de Pombal, caberá fazer o investimento de interligação territorial das aldeias, através de itinerários e sinalética, entre outros aspectos. Em causa está um investimento previsto na ordem dos 200 mil euros, que será repartido pelas seis câmaras e associação.

Rede das Aldeias do Xisto

Quem já está a colher frutos da sua integração na Rede de Aldeias do Xisto é o Município de Figueiró dos Vinhos, através do Casal de S. Simão, que faz parte de um conjunto de 27 aldeias de 16 concelhos, situadas no Centro de Portugal. “Estes pequenos núcleos agregam o potencial turístico regional reflectido na arquitectura, nas amenidades ambientais, na gastronomia e nas tradições, entre outros elementos culturais distintivos apresentados em produtos e serviços de excelência”, faz saber o site das Aldeias do Xisto.

Esta rede foi criada com o objectivo de preservar e promover a paisagem cultural do território, a valorização do património arquitectónico construído, a dinamização do tecido sócio-económico e a renovação das artes e ofícios. E esse projecto é liderado pela ADXTUR- Agência para o Desenvolvimento Turístico das Aldeias do Xisto, que envolveu vários parceiros, entre os quais 21 municípios da Região Centro e mais de 100 operadores privados que actuam no território.

Renato Antunes , responsável pelo restaurante Varanda do Casal, situado no Casal de S. Simão, reconhece que se não fosse a integração desta aldeia numa rede de maior escala, com uma entidade capaz de liderar e de se candidatar a fundos, que possibilitaram a recuperação das habitações, Casal de S. Simão iria permanecer desabitado e desconhecido pelos turistas. Do ponto de vista do empresário, foi esta a estrutura que permitiu colocar a aldeia no mapa, e fazer dela um ponto turístico de forte atractividade.

O seu próprio negócio, com clientes durante todo o ano, entre portugueses e público estrangeiro, é o reflexo do sucesso desta rede, constata Renato Antunes. O site da Rede das Aldeias do Xisto sublinha ainda que este conjunto de aldeias “são a porta de entrada para um território maravilhoso com uma variada oferta de turismo e lazer em íntimo contacto com a natureza e com as tradições culturais da região”

. Para quem gosta de caminhar, existem mais de 600 quilómetros de percursos pedestres devidamente homologados, realçam os promotores desta rede. Os amantes de BTT, notam ainda, vão ficar surpreendidos com a oferta de trilhos com vários níveis de dificuldade ancorados nos Centros de BTT.

Cidades e vilas cerâmicas em associação

Há cerca de um ano, um conjunto de 14 municípios criava a Associação das Cidades e Vilas Cerâmicas. Os fundadores, as câmaras de Alcobaça, Batalha, Caldas da Rainha (distrito de Leiria), Aveiro, Ílhavo (Aveiro), Barcelos (Braga), Mafra (Lisboa), Montemor-o-Novo, Redondo, Reguengos de Monsaraz, Viana do Alentejo (Évora), Tondela (Viseu), Vila Nova de Poiares (Coimbra) e Viana do Castelo tinham como traço comum a existência de "fortes tradições ou importância económica da cerâmica artesanal, patrimonial ou industrial" e, através desta ligação, almejavam a defesa e valorização do património cultural e histórico cerâmico.

A cerimónia da constituição desta associação decorreu no Palácio Nacional de Mafra, mas não deixou de contar com a presença de congéneres europeias de Itália, França, Espanha, Roménia, Alemanha, Polónia e República Checa, demonstrando o carácter transnacional desta estrutura.

À Lusa, os promotores salientavam então que um dos temas em discussão era a aprovação, pelo Parlamento Europeu e pela Comissão Europeia, de legislação para a atribuição de Indicações Geográficas de Origem para produtos não agrícolas, como a cerâmica tradicional de cada país, assim como a candidatura da cerâmica europeia a Património Imaterial da Humanidade da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO, na sigla em Inglês).

Paulo Inácio, presidente da Câmara de Alcobaça, salienta que a formação desta rede é ainda muito recente, para observar conquistas claras da sua formação. No entanto, recorda que o objectivo da sua constituição foi alcançar a “projecção e afirmação a nível europeu” das cidades que a integram esta estrutura.

Pretende-se criar uma mais -valia para o produto cerâmico, procurar novos consumidores da Europa pela excelência da cerâmica que é produzida nestas cidades. A transmissão de know how e a possibilidade de fazer candidaturas conjuntas a fundos europeus são outras das vantagens deste trabalho em equipa, frisa o autarca.

Mais antiga e com resultados mais palpáveis é a participação de Alcobaça na Carta Europeia de Abadias e Sítios Cistercienses, reconhecida como Itinerário Cultural do Conselho da Europa (Rota de Abadias Cistercienses), uma associação que reúne cerca de 230 associados de 12 países e que tem como missão a conservação, divulgação e promoção do património que a Ordem de Cister legou à Europa. Alcobaça é membro associado desde 2009 e tem conseguido captar o interesse de um nicho de turístas muito específico, que percorre todos os espaços da Ordem de Cister pela Europa, explica Paulo Inácio.

Rede Cidades de Excelência

Promovida pelo Instituto de Cidades e Vilas com Mobilidade, a Rede Cidades de Excelência inclui os concelhos de Leiria e de Pombal. O Município de Leiria aderiu à Rede Cidades e Vilas de Excelência em 2013, momento no qual foi entregue, à autarquia, a bandeira que sinaliza a integração do município nesta Rede, nas vertentes de Cidade ou Vila Ciclável e de Mobilidade Amigável e Cidade ou Vila de Regeneração e Vitalidade Urbana. Também Pombal ganhou visibilidade em matéria de acessibilidades.

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