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Argentina, Brasil, Itália e Portugal no Encontro de Contadores de Histórias

3 fev 2020 11:58

De 3 a 8 de Fevereiro em Leiria, Marinha Grande, Pedrógão Grande e Porto de Mós

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Encontro acontece de 3 a 8 de Fevereiro
Jacinto Silva Duro

“Combater a iliteracia, compreender o mundo que nos rodeia e desenvolver o espírito crítico” são pontos-chave que os responsáveis pelo 2.º Encontro Internacional de Contadores de Histórias se propõem alcançar.

Através de adágios, contos tradicionais, trava-línguas e outras formas de expressar narrativas orais imemoriais de vários países, os contadores incentivam alunos do ensino pré-escolar ao secundário e público em geral, de cinco concelhos da região, a transformar as histórias escutadas em reflexão pessoal.

Assim, o Encontro de Contadores de Histórias, organizado pel’O Nariz - Teatro de Grupo, de Leiria, acontece, este ano, de 3 a 8 de Fevereiro, com a participação de cerca de 1500 alunos das escolas do pré-escolar e ensino secundário, dos concelhos da Batalha, Leiria, Marinha Grande e Pedrógão Grande, a que se junta, este ano, Porto de Mós.

Argentina, Itália, Brasil e Portugal, são os países cujas tradições orais se cruzam, através dos contadores convidados, que participam ainda em sessões para o público em geral, no dia 7 de Fevereiro, às 21 horas, na Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira, em Leiria, onde estarão os contadores Rodolfo Castro (Argentina), Jorge Serafim (Portugal), António Fontinha (Portugal), Cristina Taquelim (Portugal), Antonella Giradi (Itália) e Tâmara Bezerra (Brasil).

“A escolha destes países prende-se com a raiz latina e proximidade cultural e linguística da tradição oral”, explica Pedro Oliveira, director artístico d’O Nariz.

No dia seguinte, às 11 horas, A Biblioteca Municipal de Porto de Mós, abre as suas portas a Rodolfo Castro e Antonella Giradi para mais um encontro com o público.

Ao início do serão, pelas 21:30 horas, no espaço O Nariz, em Leiria, acontece a projecção de Sete Histórias à Sombra do Cajueiro, documentário sobre interculturalidade e “a partilha da experiência do ouvir e o que contam os contadores naturais da comunidade tradicional do Brasil”, realizado por Tâmara Bezerra, em parceria com o cineasta Marcelo Paes de Carvalho e coordenação pedagógica de Cristina Nobre.

Segue-se um debate onde participarão a autora, o dramaturgo Luís Mourão, a animadora cultural Patrícia Martins e a investigadora Cristina Nobre.

Contar histórias para crianças, referem os responsável pel’O Nariz, é uma acção que desenvolve o “estímulo para a aquisição de conhecimentos e competências não só a nível da linguagem”, mas também no desenvolvimento da personalidade.

"A avaliação que temos feito do trabalho dos últimos anos [O Nariz aposta, regularmente, desde há cerca de 10 anos, em encontros de contadores de histórias na comunidade escolar], baseia-se na observação directa que os professores fazem na sala de aula. Durante as sessões, alguns alunos fazem intervenções e, no fim, há outros que se manifestam e querem ficar e fazer perguntas ao contador. Tudo isso são indicadores de como as coisas estão a fluir. No geral, a resposta é positiva", sublinha Vitória Condeço, co-organizadora.

Perfil
 
António Fontinha nasceu em Lisboa, em 1966, e viveu em Angola até 1974. Concluiu o primeiro ano do Curso de Teatro da Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa (1985/86), trabalhou como actor em diversas produções e em 1992 começou a contar histórias no Centro Educativo da Bela Vista, ao serviço do Chapitô. É um dos pioneiros da Narração Oral em Portugal e vive exclusivamente de contar histórias desde 1995. Fora de Portugal contou em Espanha, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, França, Argentina e Bélgica.
 
Cristina Taquelim é natural de Lagos, onde nasceu, em 1964. Licenciou-se em Psicologia Educacional e fez Pós- -Graduação em Ciências Documentais. É Mediadora de Leitura e Técnica assessora da Administração Local na Biblioteca Municipal de Beja, onde é responsável, a par dos projectos continuados de mediação da leitura, pelos programas de Narração Oral na Biblioteca, as Palavras Andarilhas e as Mil e Uma Noites Mil e uma Histórias. Desenvolve desde 1995 actividade como narradora.
 
Jorge Serafim é técnico no sector infanto-juvenil da Biblioteca Municipal de Beja, desenvolveu actividade regular na área da promoção do livro e da leitura durante cerca de 13 anos. Como contador de histórias, tem percorrido o País em sessões de contos para públicos de todas as idades. É presença regular na SIC e na RTP1 em programas de humor e é também autor de vários livros: A.Ventura, A Sul de Ti e Estórias do Serafim.
 
Rodolfo Castro, argentino, é conhecido como O pior contador de histórias do mundo. Iniciou-se a contar histórias em 1993 “Esforcei- me sempre por ser o melhor. Para isso treinei, estudei, trabalhei...e não consegui. Quando comprovei que não podia ser o melhor decidi ser o pior... e consegui.” Foi pedreiro, carteiro, sapateiro e vendedor ambulante, professor do ensino básico e teve uma banda de música. É escritor e formador creditado nas áreas da literatura e dos contos.
 
Tâmara Bezerra, brasileira, educadora, escutadora, contadora e inventora de histórias há mais de 25 anos. Professora universitária, é membro do grupo de estudos, pesquisas e partilhas com narrativas: Costureiras de Histórias, no Brasil e associada da Acções & Conexões Associação Cultural, em Portugal.
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