Economia

Apenas 14% das empresas portuguesas cumprem os prazos de pagamento

11 jul 2019 00:00

Portugal mantém-se como um dos países com mais empresas que não cumprem os prazos de pagamento, com menos de um sexto das sociedades a pagar nas datas acordadas

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Raquel de Sousa Silva

“É um círculo vicioso. O cliente não paga ao fornecedor, que depois também não paga ao seu fornecedor”. São estas as consequências, e são já conhecidas, dos atrasos nos pagamentos, aponta António Poças, presidente da Nerlei, a propósito dos resultados do Barómetro de Pagamentos da Informa D&B, que revela que no final de Maio apenas 14% das empresas portuguesas cumpriu os prazos de pagamento.

“Um registo muito baixo, e que tem vindo a degradar-se nos anos recentes”, aponta o estudo. Portugal mantém-se, assim, como um dos países com mais empresas que não cumprem os prazos de pagamento, com menos de um sexto das sociedades a pagar nas datas acordadas. Pelo contrário, nos principais parceiros económicos da Europa tem-se registado “uma redução significativa de empresas incumpridoras dos prazos de pagamento”.

O estudo aponta as microempresas como as que mais contribuem para agravar este indicador em Portugal, uma vez que representam cerca de 95% do tecido empresarial nacional e, entre 2009 e 2018, a percentagem destas empresas que pagou aos seus fornecedores dentro dos prazos acordados desceu de 26,7% para 14,2%.

Considerando a totalidade do tecido empresarial, a percentagem de empresas com atrasos nos pagamentos superiores a 90 dias era de 9,4% no final de Maio. A maioria das empresas (65,2%) paga com um atraso até 30 dias. A média do atraso (em relação aos 30 dias que são a norma) é neste momento de 28,9 dias, aponta ainda o Barómetro de Pagamentos da Informa D&B.

Números que o presidente da Nerlei vê com apreensão, já que “para o bom funcionamento da economia é importante que todos cumpramos os prazos de pagamento acordados”. Questionado se os prazos se estão a dilatar cada vez mais, António Poças diz não ter a percepção de “estarmos pior nessa matéria”.

Quanto aos motivos para os atrasos, diz que “parte do problema é cultural, e reside no facto de quando o negócio é fechado o cliente não valorizar o prazo de pagamento acordado”. “Estou convencido que se houvesse uma maior assunção das datas acordadas elas seriam mais cumpridas”.

A redução de apenas alguns dias nos prazos de recebimento tem impactos na tesouraria das empresas. Na semana passada, durante o evento AEP Link realizado em Leiria, Mário Santiago, director financeiro da Auto Júlio, revelou que o grupo, que factura 100 milhões de euros, conseguiu nos últimos anos reduzir esses prazos em dois dias (de 45 para 43 dias), o que se traduziu em “700 mil euros a menos a ter de pedir à banca”.

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