Sociedade

Antigo aluno do Politécnico de Leiria é o braço-direito de André Villas-Boas na China

16 jun 2017 00:00

Luís Lino não é ‘matador’ na área, extremo de passes teleguiados ou ‘muro’ na defesa, mas foi um dos reforços que o técnico português de futebol André Villas-Boas levou esta época para os chineses do Shanghai SIPG.

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“Nem queria acreditar”, recorda Lino, 25 anos, sobre o convite para integrar o staff de Villas-Boas como intérprete para chinês. "Isto caiu-me do céu", diz.

Formado em mandarim pelo Instituto Politécnico de Leiria (IPL), o jovem tradutor trabalhou como guia no museu do FC Porto antes de rumar, no início deste ano, a Xangai - a capital económica da China, com 24 milhões de habitantes.

No SIPG, actual segundo classificado da superliga chinesa, Luís Lino é um "polivalente" da tradução: “Para o que [Villas-Boas] precisar, estou sempre pronto”, afirma.

“Não só com a equipa técnica, às vezes ajudo também o departamento médico ou o André a comunicar uma informação”, descreve. “Até coisas muito pequenas: ir tratar de documentação, do visto ou documentos de viagem” dos jogadores.

No Shanghai SIPG alinham quatro jogadores que falam português: os brasileiros Elkeson, Hulk e Oscar e o defesa central português Ricardo Carvalho. Antigo técnico do FC Porto, André Villas-Boas rumou à China em Dezembro passado.

Luís Lino admite que “no início foi um bocado difícil”, devido ao desconhecimento sobre o vocabulário em chinês usado no futebol.

“"No que toca a questões avançadas, a questões tácticas, eu comecei a desenvolver a linguagem, termos e expressões aqui. Graças a Deus tive um apoio enorme e a compreensão por parte do André e do resto do staff. Eles têm ajudado imenso. E eu tento retribuir, o máximo que posso”, conta.

Comparado com os restantes tradutores do Shanghai SIPG, todos chineses, Luís Lino diz remar “contra a corrente”.

“Sou um português, a tentar traduzir para chinês. Não para a minha língua nativa”, explica.

Antes de optar por estudar mandarim, Lino ainda pensou em tirar o curso de jornalismo, mas no final não resistiu ao desafio de estudar uma língua “exótica” e “muito rentável”.

O chinês mandarim é a língua mais falada do mundo e o único idioma oficial da República Popular da China, país com 1.375 milhões de habitantes - cerca de 18% da população mundial - e a segunda maior economia do planeta.

Em colaboração com o Instituto Politécnico de Macau, o IPL abriu em 2006 a primeira licenciatura em Portugal de Tradução e Interpretação Português/Chinês - Chinês/Português.

O Instituto Confúcio, organismo patrocinado por Pequim para assegurar o ensino de chinês, está também já implantado em quatro universidades portuguesas - Aveiro, Coimbra, Lisboa e Minho.

Luís Lino diz que estudar chinês exige “muito esforço e dedicação”, mas que não se trata de um “bicho-de-sete-cabeças”.

“Como é uma língua que não estamos habituados a ouvir no dia-a-dia, muitas pessoas têm uma noção errada. Quando [os estudantes] começam a aprender como é que o chinês funciona, quais é que são os hábitos que levam a uma boa aprendizagem, a maior parte dessa mística desaparece e torna-se uma língua tão acessível como qualquer outra”, acrescenta.

Para o jovem, o futuro passa pelo futebol.

“É uma área que eu sempre gostei. Agora que cheguei aqui, quero tentar fazer uma carreira que dure.”

Agência Lusa

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