Opinião

Stress a stress, enche o copo

27 out 2026 21:00

Não podemos viver permanentemente assoberbados, mesmo quando compreendemos a origem do nosso stress

No mês de outubro assinala-se o Dia Mundial da Saúde Mental, uma data que, desde 1992, procura sensibilizar para a importância da saúde mental, reduzir o estigma a ela associado e promover políticas de acesso universal aos cuidados.

A esse propósito, falo-vos do stress, um fator que pode agravar problemas de saúde mental e física.

O stress é uma resposta biológica essencial à sobrevivência, moldada ao longo da evolução humana. Contudo, a natureza das ameaças que enfrentamos mudou e muitas já não são pontuais, nem desaparecem quando termina o acontecimento que as desencadeou.

Ouso, por isso, afirmar que o stress de agora não é como o de outrora. O de agora tende a prolongar-se no tempo, pois as exigências atuais dificultam os momentos de pausa e recuperação.

O estilo de vida que levamos, aliado à capacidade humana de recordar, antecipar e imaginar, pode manter-nos presos a preocupações que nem sempre conseguimos deixar para trás.

O nosso corpo mobiliza energia e ativa mecanismos fisiológicos que nos preparam para agir perante uma ameaça. Quando o perigo passa, espera-se que estes sistemas recuperem o funcionamento habitual. Há um ligar e um desligar.

No caso do stress crónico, há uma ativação repetida ou persistente destes mecanismos, e isso pode comprometer a regulação do organismo e afetar o nosso bem-estar.

Assim, reconhecer sinais de stress antes de se chegar ao limite é fundamental. Irritabilidade, tensão muscular, cansaço persistente e sono alterado podem ser sinais de stress prolongado.

Estabelecer limites à disponibilidade permanente é também essencial, assim como proteger o tempo de descanso, assegurando um sono suficiente e reparador.

Depois, há que distinguir o que podemos mudar e o que temos de aprender a enfrentar.  Não podemos viver permanentemente assoberbados, mesmo quando compreendemos a origem do nosso stress.

Há situações que nos mantêm sob pressão durante anos e, nesses casos, não basta aprender a suportá-las: é importante procurar ajuda.

Estar ligados às exigências da vida não deve desligar-nos de nós próprios.