Opinião
Data centers e a fome por recursos
Tao e Gao referem que um data centre hiperescalável típico pode utilizar 11 a 26 milhões de litros por dia, apenas para arrefecimento
A economia digital está cada vez mais dependente dos data centres (ou centros de dados), infraestruturas altamente consumidoras de eletricidade e de outros recursos.
Em setembro de 2026, segundo dados divulgados pela Forbes Portugal, os países europeus com mais data centres eram o Reino Unido (568), a Alemanha (533), a França (393) e a Espanha (219). Portugal apresentava 46.
Os data centres, vitais para suportar a evolução da economia digital e, em particular, da Inteligência Artificial, são responsáveis por diversos impactes ambientais. Consumiram cerca de 1,5% da eletricidade mundial em 2024.
Segundo a Agência Internacional de Energia, este consumo poderá mais do que duplicar até 2030.
Dependendo do local onde são instalados e da origem da eletricidade que os alimenta, podem também contribuir para as emissões de gases com efeito de estufa. Têm ainda uma enorme pegada hídrica.
Em determinadas regiões, até 57% da água utilizada para arrefecimento pode provir de fontes potáveis.
Tao e Gao referem que um data centre hiperescalável típico pode utilizar 11 a 26 milhões de litros por dia, apenas para arrefecimento.
Segundo Tao e Gao, existem várias medidas que devem ser consideradas.
Em primeiro lugar, aumentar a utilização de fontes de energia renovável para alimentar os data centres.
Em segundo lugar, devem ser priorizadas tecnologias de arrefecimento mais eficientes, que reduzam o consumo de água, bem como soluções para recuperar e reutilizar o calor residual.
Em terceiro lugar, a informação sobre as emissões e outros impactes ambientais destas infraestruturas deve ser pública e transparente.
Finalmente, a localização dos data centres deve considerar a capacidade a capacidade dos territórios em fornecer os recursos.
A localização não pode ser determinada apenas pela disponibilidade de terrenos ou pela proximidade de infraestruturas digitais, tem de considerar o ambiente e os cidadãos.