Opinião

52 anos de muito por fazer

25 abr 2026 21:30

No plano global, paira a guerra generalizada como último estrebuchar do capitalismo falido; paira a passividade suicida perante a ameaça à vida humana das Alterações Climáticas. Tudo parece avassalador

Portugal decidiu ser um país democrático faz no próximo sábado 52 anos. Sobre esse “dia inicial inteiro e limpo” precisamos de ser francos connosco próprios: nem todos neste país quiseram essa mudança, e isso nota-se bem nos vários ímpetos vingativos a que assistimos. E verdade seja dita, não é um fenómeno português.

Sobre as conquistas de direitos, sobre a construção da paz, da prosperidade e justiça, paira uma nuvem podre de ressabiamento, daqueles que tiveram de começar a partilhar um pouco mais do seu privilégio.

Sobre os projetos de futuro - como o é a nossa constituição que faz este ano 50 anos - paira a ameaça do pacote laboral contra os trabalhadores e de uma revisão constitucional contra todos, que pretende retirar-nos a universalidade ou a gratuitidade dos direitos económicos e sociais — SNS, escola pública, segurança social, habitação.

No plano global, paira a guerra generalizada como último estrebuchar do capitalismo falido; paira a passividade suicida perante a ameaça à vida humana das Alterações Climáticas. Tudo parece avassalador.

Tudo dá demasiado trabalho, e tudo parece impossível de ultrapassar. Mas não é! E a História prova-nos isso.

Sim, as mudanças são pequenas, e já podíamos - devíamos - estar bem melhor. Mas melhorar é possível! Antes de termos 25 de abril, tínhamos perseguição, tortura, morte. Tínhamos fome e exaustão!

Não me venham dizer que as vitórias foram curtas e que nada muda verdadeiramente. Hoje, eu sou dona de mim mesma, faço as minhas escolhas, e isso não é um pormenor, não é uma nota de rodapé.

Sou mais livre que a minha avó e que a avó dela porque uns quantos se responsabilizaram pela mudança, e porque outros tantos fizeram da vontade do povo lei, há 50 anos.

É nossa responsabilidade manter e melhorar a nossa democracia - defendê-la na rua e em todos os lugares.

O cravo da Revolução deu-nos força e alegria, a Constituição o instrumento para fazer cumprir essa vontade. No próximo sábado, voltamos à rua para reviver a alegria e para defender as leis fundamentais que escrevemos.

Em Leiria (16h00), voltaremos a desfilar do Mercado Municipal até à Fonte Luminosa. Na rua, a liberdade, na mão a Constituição! Sempre!