Sociedade
Projecto educativo de Leiria não esquece envolvimento da cultura nas escolas
“Educação e cultura devem caminhar juntas”, sublinha vereadora da Educação
Cultura nas escolas, integração e sucesso escolar são algumas das premissas do projecto educativo da Câmara Municipal de Leiria para o período 2026-2029.
Durante o Fórum Educação Leiria, evento que tem o apoio do JORNAL DE LEIRIA, Anabela Graça considerou que o plano “não é uma soma de projectos, nem iniciativas isoladas”, mas assenta em cinco pilares: "cuidar, pensar, criar, participar e qualificar”.
Construída a partir de um "amplo processo de auscultação da comunidade educativa e de todos os parceiros”, o projecto desenvolve-se em "quatro grandes eixos estratégicos".
“O primeiro, e que nos preocupa a todos em especial, é o sucesso educativo", afirmou a vereadora da Educação.
Anabela Graça enumerou ainda a inclusão, a saúde e bem-estar de crianças e jovens, mas também a cultura, as artes, a criatividade, a cidadania, sustentabilidade e resiliência”, assim como a “capacitação, governança, monitorização e avaliação”.
“Leiria é hoje um concelho em transformação, cada vez mais diverso e multicultural e é nas escolas que se encontra a diferença, com crianças e jovens com diferentes histórias, diferentes culturas, diferentes línguas e diferentes percursos”, referiu.
Por isso, a autarca sublinhou que a "educação em Leiria tem de falar necessariamente de inclusão e de sucesso educativo", pois só assim é possível "impedir que as diferenças se transformem em desigualdades e garantir que cada criança e cada jovem encontrem o seu lugar na escola e na comunidade”, ajudando-os “a construir o seu projecto de vida”.
Saúde e criatividade
A “saúde, saúde mental, bem-estar, participação, autonomia, criatividade e sustentabilidade” foram também requisitos evidenciados por Anabela Graça, que destacou a cultura, sobretudo, num momento em que Leiria se prepara para apresentar a candidatura a Capital Portuguesa da Cultura 2028
“Educação e cultura devem caminhar juntas.”
“Garantir a cada criança e jovem condições para aprender, crescer e adquirir as ferramentas necessárias para construir, com autonomia e confiança, o seu próprio caminho” é um dos objectivos do projecto da autarquia, frisou Gonçalo Lopes, que lembrou a tempestade Kristin, que colocou o concelho à prova.
O presidente da Câmara de Leiria afirmou que a autarquia está a trabalhar para avançar “com intervenções profundas” nas escolas, elogiando "os professores, os assistentes operacionais, as direções, os alunos, as famílias e os serviços municipais que não baixaram os braços".
"Adaptaram espaços, reorganizaram respostas e fizeram o necessário para que as nossas crianças e jovens continuassem a aprender”, notou, constatando “uma verdade essencial: os edifícios são indispensáveis, mas é a infraestrutura humana que verdadeiramente sustenta uma escola”.
Para Gonçalo Lopes, o projecto educativo tem uma visão de um território “onde todos educam e todos aprendem”.
Ser Professor hoje
“Uma visão que reconhece que a educação não acontece apenas na escola ou na família, mas também através da cultura, do desporto, do espaço público, das associações, das empresas e das instituições”, observou.
Ser Professor Hoje: o Futuro que Construímos, o tema do Fórum Educação Leiria “não podia ser mais actual”, notou Gonçalo Lopes, ao considerar que "num tempo de inteligência artificial e transformação acelerada, mudou o acesso à informação", mas "nenhuma tecnologia substitui a relação humana, o discernimento e a capacidade de inspirar".
"O professor será ainda mais necessário para ensinar a perguntar, a pensar criticamente, a distinguir o verdadeiro do falso e a transformar informação em conhecimento”, frisou.
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“Liberdade e humanidade” foram palavras-chave lançadas por António Sampaio da Nóvoa, que frisou que “liberdade é autoria e liberdade é humanidade”.
O reitor honorário da Universidade de Lisboa afirmou, durante a sua intervenção sobre o tema do Fórum, que a “metamorfose da escola não se fará a partir de uma nova política, uma nova ideia, uma orientação internacional ou uma nova plataforma”.
“A metamorfose da escola virá da liberdade, de fazer diferente, de experimentar, produzindo novas ideias, novas realidades” que devem ser “partilhadas e que podem criar um momento de transformação da escola”, acrescentou, ao observar que “a liberdade é sempre experimental, uma tentativa e erro, o ir à procura de algo”.
Sampaio da Nóvoa defendeu ainda a importância de resgatar a missão humanista dos professores. “Ponham quanto de humano és, no mínimo que fazes”, disse, dirigindo-se aos docentes presentes.
Os professores precisam reforçar a ‘auctoritas’, “não no sentido básico de autoridade autoritária”, mas da “capacidade de os docentes serem reconhecidos, e esse reconhecimento vem de dentro”, considerou, ao explicar que a “diminuição da ‘auctoritas’ surge de visões ‘futuristas’, que anunciam um futuro sem escolas, sem professores”.
Estas ideias, defendeu, “alimentam-se de dois equívocos”. O primeiro é “educar sozinho: um equívoco fatal”.
“Podemos aprender muitas coisas sozinhos, mas para nos educarmos, precisamos dos outros, de um espaço, de uma instituição e de um local de trabalho conjunto. Precisamos de uma escola."
Para Sampaio da Nóvoa, o segundo equívoco é que é "errado" dizer que é “possível educar fora de um encontro humano, no digital”, pois, na “longuíssima história da humanidade, não há exemplo que um ser humano se tenha educado sem intervenção de seres humanos adultos”.