Editorial

Os bons tempos são os do presente

3 set 2026 09:28

Vivemos uma época prodigiosa, os bons tempos são os do presente e são sonhos de futuro os que podemos construir com abnegação, foco, união, respeito pelos outros, honestidade e metas concretas. Tudo o resto é ruído, ar e vento que rapidamente se transformam em pesadelos

Depois das aulas, o “Tiago” treina à terça-feira e ao sábado de manhã. Dorme melhor. Come melhor. Sabe explicar o que lhe faz bem ao corpo.

Na mesma turma, o “Pedro” não treina, nem tem actividade física relevante.

É a partir destes perfis, traçados a partir de 549 crianças auscultadas, a que as investigadoras deram nome, que se chega às conclusões do ATIVA+Saúde, estudo cujo resumo publicamos nesta edição.

O desporto está no foco desta pesquisa do centro de investigação ciTechCare, da Universidade de Leiria e Oeste, em parceria com a Escola Nacional de Saúde Pública e a Câmara Municipal de Leiria.

O treinador que abre o pavilhão à noite e os pais que fazem das tripas coração para levar os filhos aos treinos fazem muito pela saúde dos mais novos.

Infelizmente, quase quatro em cada dez crianças não praticam qualquer desporto fora da escola.

Nesta mesma edição há mais três exemplos de pessoas que fazem a diferença.

Há seis anos, um grupo de antigas jogadoras do AC Sismaria quis voltar às quatro linhas.

Eram quatro ou cinco e usavam bancos suecos deitados como baliza.

O esforço e a persistência compensaram e, no dia 12, Leiria recebe o maior torneio de veteranos realizado no País, com 16 equipas e cerca de 300 atletas.

Em 2016, o escritor Paulo Kellerman transformou uma brincadeira entre conhecidos da escrita e da fotografia numa experiência de Verão.

Previa 99 publicações.

Hoje, no Fotografar Palavras, vai em mais de 5.700, com contributos diários e ininterruptos, com 50 fotógrafos de 19 países.

Já pôs autores da Ucrânia e da Rússia no mesmo trabalho.

Em Vermoil, um grupo de cidadãos recrutou o pároco e a junta para recuperar a antiga igreja, cuja origem remonta ao século XIII e que as tempestades de Janeiro deixaram a precisar de restauro.

Faltam 150 mil euros e andam a angariá-los entre empresas e vizinhos.

Ao contrário do que aconteceu noutras paróquias recentemente, aqui, o edifício mais antigo da localidade é para preservar por aquilo que é: um “elemento da família”, testemunha de gerações de casamentos, baptismos e despedidas.

Estes casos têm em comum o ponto de partida.

São impulsionados por gente obstinada que se dedica a uma missão depois do trabalho, dedicando a sua vida e penalizando, muitas vezes, o tempo pessoal, para o bem-comum.

Necessitamos que estes exemplos deixem de ser a excepção e passem a regra, para defrontar e vencer o veneno da desunião e ódio que está a destruir a nossa sociedade.

Vivemos uma época prodigiosa, os bons tempos são os do presente e são sonhos de futuro os que podemos construir com abnegação, foco, união, respeito pelos outros, honestidade e metas concretas.

Tudo o resto é ruído, ar e vento que rapidamente se transformam em pesadelos.