Economia

O Terruja tem casa nova e a despensa é o parque natural

4 abr 2026 12:00

No início de Fevereiro, enquanto a região ainda exibia as feridas abertas pela tempestade Kristin, o chef Diogo Caetano ultimava a mudança do restaurante Terruja, de Alvados para a sua nova morada, em Mira de Aire, também no concelho de Porto de Mós.

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Diogo Caetano diz que restaurante deixou de “ser menino” para ser “homenzinho”
Fotografia: Ricardo Graça
Jacinto Silva Duro

No início de Fevereiro, enquanto a região ainda exibia as feridas abertas pela tempestade Kristin, o chef Diogo Caetano ultimava a mudança do restaurante Terruja, de Alvados para a sua nova morada, em Mira de Aire, também no concelho de Porto de Mós.

Para o fundador e proprietário, foi o regresso à localidade onde nasceu e cresceu, marcando um ponto de maturidade no percurso do espaço.

“O restaurante deixou de ser um menino para ser um homenzinho”, brinca.

Apesar da nova estética, pontuada pelo decoração e no cuidado com o fardamento, e do maior conforto, a filosofia do Terruja e a equipa de cinco pessoas mantêm-se as mesmas, tal como o compromisso com a qualidade da gastronomia, que já lhe valeu duas vezes o reconhecimento do Guia Michelin, com o selo Bib Gourmand.

Em Mira de Aire, a cozinha ganhou “estrutura” e mais espaço, deixando de ser uma pequena “cozinha de casa”, para se tornar “numa cozinha a sério”.

Mesmo assim, Diogo Caetano preferiu manter o seu ideal de qualidade, acima da quantidade, aconselhando reserva antecipada.

Poderia ter aumentado facilmente a lotação, mas manteve apenas 20 lugares, privilegiando o contacto directo com o chef, especialmente nos quatro lugares da chef’s table.

O menu continua a ser moldado alquimicamente pela “despensa do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros”.

“Jogamos com as estações, jogamos com o que o parque nos dá na hora”, afirma.

Do azeite de Alvados e do mel, produzidos “a dois minutos de distância”, aos cogumelos selvagens da região ou provindos da Serra da Lua (Cabeça Veada, Porto de Mós), ao medronho, que dá origem “à única aguardente disponível na casa”, ou à flor de sabugueiro, um favorito no menu de Primavera, tudo é um tributo à produção local.

Até o peixe, que chega do mar da Nazaré pela mão da peixeira Maria João Azarim, respeita a lógica da proximidade e da economia circular. A evolução no Terruja é constante e a meta é a excelência diária.

“Daqui a um ano, vejo-me 365 dias melhor e mais afinado”, deseja o chef.