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Matilde Meireles este domingo no segundo episódio Fontes Sonoras de 2026
Percurso sensorial centrado no rio Lis
A apresentação pública está prevista para hoje, 19 de Abril, pelas 15:30 horas, na aldeia de Fontes, concelho de Leiria.
“O público será convidado a acompanhar esta experiência de escuta expandida, onde gravações detalhadas do território se cruzam com o fluxo vivo do rio, revelando dimensões invisíveis e subtis do ambiente”, adianta a organização do Fontes Sonoras.
Matilde Meireles é uma artista sonora “cuja prática se centra na escuta profunda, na gravação de campo e na exploração das múltiplas camadas sonoras que compõem os lugares”, lê-se na nota de divulgação.
Ao longo de uma semana de residência, que culmina este domingo através do encontro com o público, Matilde Meireles propôs-se “desenvolver um trabalho de investigação e criação centrado no rio Lis”, com “um percurso sensorial que a artista descreve como uma deriva sonora onde diferentes tempos, escalas e camadas de escuta se entrelaçam”.
“A proposta passa por observar e amplificar os micro-movimentos sonoros da paisagem, especialmente nas margens do rio. A artista pretende realizar um trabalho detalhado de captação e documentação de sons normalmente inacessíveis ao ouvido humano, utilizando técnicas de gravação especializadas, incluindo hidrofones, que permitem escutar o interior do rio. Estes sons pré-gravados serão posteriormente colocados em diálogo com os sons do próprio rio captados e transmitidos ao vivo, criando uma composição onde a documentação sonora e a abstração convivem com a presença real da paisagem”, anunciou a Ccer Mais / Omnichord, que organiza o Fontes Sonoras, um ciclo de residências artísticas dedicado à escuta, experimentação e criação sonora em diálogo com o território e a comunidade da aldeia das Fontes, com curadoria de Raquel Castro e direcção artística de Gui Garrido.
Matilde Meireles “é uma artista sonora e field recordist cuja prática artística tem sido descrita como algo que 'gira como o rolo de um filme invisível'. O seu trabalho combina improvisação, gravação de campo e composição, criando aquilo que chama de sonic drifts: percursos de escuta que revelam as relações entre diferentes espectros sonoros, escalas e temporalidades dos espaços que habitamos”, explica a organização.
A fechar a temporada de 2026, entre 25 de Outubro e 1 de Novembro, o Fontes Sonoras acolhe Kathy Hinde, artista e compositora britânica cujo trabalho explora fenómenos naturais, sistemas ecológicos e processos colaborativos entre humanos e não-humanos.
Este ano, o projecto começou em Fevereiro, com a participação de Gil Delindro.
Esta é a segunda edição do Fontes Sonoras, que em 2025 levou às Fontes o austríaco Andreas Trobollowitsch e as duplas Inês Tartaruga Água e Xavier Paes e Rie Nakajima e Pierre Berthet.