Sociedade

Comunidade Intermunicipal de Leiria contra pareceres negativos à criação da Universidade de Leiria e Oeste

24 abr 2026 16:00

Para os dez municípios da CIMRL, a passagem do Politécnico de Leiria a universidade “constitui um passo insubstituível para a reconstrução e o desenvolvimento sustentado de uma região que figura entre os principais motores económicos do país

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A Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria (CIMRL) manifestou a “sua firme discordância relativamente aos pareceres negativos emitidos pelo CCISP e pelo CRUP contra a criação da Universidade de Leiria e Oeste, que foi aprovada pelo Governo.

Para os dez municípios da CIMRL, a passagem do Politécnico de Leiria a universidade “constitui um passo insubstituível para a reconstrução e o desenvolvimento sustentado de uma região que figura entre os principais motores económicos do país, especialmente num momento em que enfrenta os desafios acrescidos da reconstrução pós-tempestades”.

Fora das áreas metropolitanas, “a região de Leiria e Oeste concentra 11,4% da população nacional, 11% do PIB [Produto Interno Bruto] e 12,3% do Valor Acrescentado Bruto (VAB), com exportações próximas de metade da riqueza gerada”, explicam os autarcas num comunicado.

Salientando que se trata da "mais elevada densidade industrial do país, construída ao longo de décadas através do saber-fazer industrial", a CIMRL destaca o "contributo decisivo do Politécnico de Leiria na qualificação de gerações e no alinhamento da formação com as necessidades das empresas”.

Além do “modelo de proximidade entre ensino e indústria”, os autarcas entendem que a “competitividade depende hoje menos da eficiência e mais da inovação sustentada em conhecimento”.

Para a CIMRL, “não se trata de melhorar o bom Politécnico que existe”, mas de “criar uma universidade com escala científica e foco no conhecimento”.

“Uma universidade com investigação e capacidade de formação avançada é o motor que permite ao território responder com maior resiliência a choques futuros e competir nas atividades de maior valor", defendem os municípios da região de Leiria, ao acrescentarem que a criação de “uma universidade com investigação e capacidade de formação avançada” é o “caminho para convergir com as regiões mais dinâmicas do litoral”.

Também o presidente da Câmara de Leiria tomou uma posição perante os pareceres negativos. Na sua página de facebook, Gonçalo Lopes afirma que a "evolução do Politécnico de Leiria para universidade é um passo natural e decisivo para o futuro do nosso território e do País”, ao salientar que é preciso “afirmar com clareza”, que esta transformação é “valorizar uma instituição que já provou o seu papel na qualificação de pessoas e no desenvolvimento económico da região”.

“O país não pode adiar decisões estratégicas nem ficar condicionado por visões fechadas. Precisa de mais conhecimento, mais inovação e mais capacidade de competir. Este é um caminho consistente com o que fomos construindo, e vamos levá-lo até ao fim, com determinação”, reforça o autarca, ao dirigir uma “palavra de reconhecimento ao Governo pela decisão e pela visão demonstrada neste processo”.

Compõem a CIMRL os municípios de Alvaiázere, Ansião, Batalha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Marinha Grande, Pedrógão Grande, Pombal e Porto de Mós.

 A Comissão Política Distrital do PSD de Leiria e os deputados sociais-democratas eleitos pelo círculo de Leiria à Assembleia da República também rejeitam os pareceres negativos e reafirmam compromisso com a criação da Universidade de Leiria e Oeste, sublinhando que "esta não é uma ambição recente nem uma reivindicação circunstancial, é fruto do trabalho do Instituto Politécnico, dos seus professores e da comunidade educativa".

Destacando que este passo é "o reconhecimento de um percurso sólido, consistente e sustentado por indicadores objectivos de qualidade", os sociais-democratas afirmam que a "ligação do Politécnico de Leiria à região tem sido um dos pilares do seu sucesso".

"O percurso do Politécnico de Leiria confunde-se com o desenvolvimento económico e social da região. A estreita articulação com o tecido empresarial, a aposta na inovação aplicada e a capacidade de resposta às necessidades do território fazem desta instituição um verdadeiro motor de crescimento regional. Leiria já demonstrou estar preparada. Agora, é tempo de o País acompanhar esse caminho", acrescentam.