Viver
Ciclo de Música Exploratória: descobrir fronteiras até onde a imaginação alcança
Hoje na Igreja da Misericórdia com dose dupla de concertos
Este ano, todos os concertos do Ciclo de Música Exploratória Portuguesa (CMEP) têm acesso gratuito, por iniciativa da Fade In, a associação responsável pela curadoria e organização do programa, que com esta medida procura ajudar a mitigar o afastamento, eventual, por parte do público da cultura, causado pelas despesas relacionadas com os efeitos da depressão Kristin.
Entrada livre, como livre é o pensamento na origem do Ciclo de Música Exploratória Portuguesa, que leva ao lugar do protagonismo, em palco, propostas artísticas menos óbvias e mais capazes de surpreender. Um encontro com linguagens e formatos que, garantidamente, não passam no horário nobre das rádios generalistas, mas, por outro lado, desafiam convenções e estimulam a riqueza da escuta.
Criado durante a pandemia de Covid-19, como resposta aos constrangimentos que temporariamente limitaram a indústria de espectáculos ao vivo, o CMEP acaba por ser afectado, nesta sexta edição, pelas tempestades ocorridas em Leiria nos meses de Janeiro e Fevereiro. O arranque estava anunciado para 4 de Abril, no entanto, devido a obras de reparação na Igreja da Misericórdia, um espaço dessacralizado, os primeiros concertos só vão acontecer no próximo sábado, 2 de Maio, a partir das 18 horas.
Para começar, a Fade In oferece a oportunidade de ouvir e ver ao vivo os projectos Turning Point (de Santa Maria da Feira) e Calcutá (de Teresa Castro, actualmente a residir no Porto).
O trio Turning Point, segundo Carlos Matos, presidente da Fade In, “afirma uma abordagem híbrida entre música, poesia e performance” e “explora um território onde o fado, a electrónica, a música experimental e o spoken word coexistem de forma orgânica”, ou seja, “um espaço intermédio entre o recital, a instalação sonora e o teatro musical” que revela “um pensamento estético singular e inquieto”. Calcutá, entretanto, oferece “um universo sonoro que cruza folk, drone e electrónica” e “constrói paisagens hipnóticas feitas de repetição, silêncio e densidade tímbrica”, numa “experiência envolvente onde o tempo parece suspender-se e a escuta se torna profundamente sensorial”.
No mesmo texto, publicado no JORNAL DE LEIRIA na edição da última quinta-feira, 23 de Abril, Carlos Matos resume o caderno de encargos do CMEP: “Um ciclo que se pretende espaço de descoberta e escuta activa, celebrando práticas artísticas que desafiam fronteiras e expandem as possibilidades da música portuguesa contemporânea”.
Há concertos – dez, no total – prolongam-se até Novembro, sempre na Igreja da Misericórdia – Centro de Diálogo Intercultural de Leiria. Os artistas anunciados para 2026 são Frederica Vieira Campos, Amuleto Apotropaico, Má Estrela, Joana Guerra & Yaw Tembe, The Selva, Bruna de Moura, Jorge Ferraz toca Santa Maria Gasolina Em Teu Ventre Redux e Rapaz Improvisado (alter-ego de Leonel Mendes, também conhecido como Leonel Mendrix, guitarrista e compositor do concelho de Pombal).