Entrevista

Entrevista | Surma: "Não interessa de onde vens. A minha casa é mesmo a estrada"

27 set 2018 00:00

Artista de Leiria vai fechar o ano com mais de 50 concertos no estrangeiro, em 13 países.

O que é que a música trouxe de mais importante até agora? 
Conhecer pessoas extraordinárias. Muitos dos meus melhores amigos foram feitos na estrada, já conheci pessoas incríveis, que me têm ajudado muito, em termos de composição, de inspiração. O facto de visitar países que nunca na vida pensei em lá tocar. Tem sido um sonho. E sem a Omnichord [editora] não estaria nem perto. 

E liberdade, também? 
Muita. Sempre me senti muito liberta na música. Compor e viajar é uma liberdade extrema. Sou uma pessoa reservada e a música é um caminho para me dar a conhecer. Costumo esconder as emoções e a música é um caminho livre. 

Concertos nos principais festivais de Verão, nomeações para listas de melhor disco e canção do ano, publicidade para grandes marcas. Portugal começa a ser demasiado pequeno? 
Não, pelo contrário. Portugal é e será sempre o meu país de eleição. Vou lá para fora e sinto saudades, não troco isto por nada. Portugal nunca vai ser pequeno para mim. 

Que objectivos faltam alcançar em Portugal? 
Tenho sempre objectivos, quero sempre ir mais além, fazer mais e melhor. E as pessoas que me têm apoiado desde o início têm-me dado mais garra para ser mais perfeita naquilo que faço. Sou um bocado workaholic, o que é mau e bom ao mesmo tempo. 

O ano vai acabar com mais de 50 concertos no estrangeiro, em 13 países. 
Tem sido cansativo, porque viajamos sempre às cinco da manhã e tocamos no mesmo dia, e às vezes regressamos no mesmo dia a Portugal, mas, no final de tudo, tem sido tão gratificante e tão bom. E lá fora tive uma adesão incrível. Costumo tocar em bares e salas pequenas, que criam um ambiente mais intismista e simpático. Estão lá para te ver. Na Alemanha e na Suécia tive pessoas que vieram ter comigo e disseram que me conheciam do You Tube. E também pessoas que não conheciam e compraram o CD no final. Costumo sentir-me muito em casa quando estou lá fora. Por estranho que pareça, nos Estados Unidos foi como se estivesse em Leiria. Estranhíssimo. Vai das pessoas, são muito calorosas. 

É mais difícil para um artista português afirmar-se no plano internacional? 
Não, basta seres tu mesmo. Se corre bem cá, provavelmente vai correr bem lá fora. Não é preciso imitares alguém para cresceres lá fora, basta seres tu. Não interessa de onde vens. A minha casa é mesmo a estrada e não tenho mesmo lugar fixo onde dormir. Ando sempre cá e lá, e lá e cá, e sinto-me bem assim. Vim a casa [dos pais, no Vale do Horto, Leiria] este ano umas três vezes, se tanto. 

Palco, carro e hotel. 
Sim, e às vezes dormir no chão, ou em cadeiras, e está tudo bem. Tem sido mesmo rock 'n' roll. Já conheci pessoas incríveis, culturas diferentes, o Antwerpen foi muito à base disso. Inspiração do mundo, por assim dizer. 

Tudo o que aconteceu até à data mudou-a de alguma maneira? 
Mudou muito, não só enquanto música, mas como pessoa também. Sou uma pessoa mais aberta e mais madura como compositora. Sinto-me muito mais livre quando vou para o palco. Agora apago mesmo, tanto que as pessoas batem palmas e só acordo uns dois minutos depois. É uma sensação incrível, não sabia que tinha isto dentro de mim. Estou mais livre e solta. 

A Surma e a Débora continuam a ser a mesma pessoa? Ou nunca foram? 
Acho que nunca foram e nunca vão ser. Acho que a Surma me dá a oportunidade de reflectir aquilo que a Débora não consegue reflectir pessoalmente. É o alter-ego de artista, por assim dizer, e abre-me para as pessoas. 

E há cinco anos estava a terminar o ensino secundário. 
Queria seguir Medicina, mas as minhas notas eram más. A música sempre foi um hobbie, tinha aulas de guitarra clássica e piano numa escola da Golpilheira. Foi tudo muito por acaso. E aconteceu. Muito naturalmente. 

 

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