Opinião

Uma mãe e um pai não existem sozinhos

29 mar 2019 00:00
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Patrícia António, psicóloga

Os pais vão preparando o seu aparelho psíquico para acolher o bebé que vai nascer, imaginando-o, tendo fantasias, insónias, dúvidas e muitos questionamentos.

A gravidez, 9 meses de extrema importância na relação da mãe (pai)-bebé, implicam uma adaptação física e psíquica ao feto em desenvolvimento e constituem uma oportunidade única de mudança e crescimento.

Os pais vão preparando o seu aparelho psíquico para acolher o bebé que vai nascer, imaginando-o, tendo fantasias, insónias, dúvidas e muitos questionamentos.

Ingredientes emocionais que, quando presentes, também promovem a construção de um espaço relacional fértil dentro de si próprios, para depois receber o bebé nos seus braços e inter-agir com ele, o bebé real. E o que sabemos hoje é que desde o início do desenvolvimento o bebé tem actividade própria.

É um parceiro activo nas interacções que estabelece com os outros e mostra ser capaz de aprender, desde que à sua volta existam expectativas, emoções e disponibilidade para construir com ele laços, necessariamente laços afectivos.

Progressivamente estes sinais carregam-se de sentido entre ele e a mãe e/ou figura cuidadora, numa comunicação recíproca de desejos, expectativas, mensagens, afectos e conteúdos. Mas também de ausências, de atrasos e desencontros.

Também os pais iniciam um grande processo de desenvolvimento que resulta na existência de um “habitante” no útero materno, mais tarde nos seus braços e logo depois no seu lar e já fora do seu controlo.

Trata-se de um processo que traz tremendas exigências a ambos.

Donald Winnicott, pediatra e psicanalista inglês, defendeu que nesta fase tão precoce do desenvolvimento humano “não há tal coisa como um bebé… sempre que se encontra um bebé, encontra-se o cuidado materno e sem cuidado materno não poderia haver um bebé”.

Existe uma grande reciprocidade e complementaridade entre as competências do bebé, incluindo as competências fetais, e as competên

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