Opinião

Super Não

1 fev 2018 00:00

É claro que os tribunais, a reboque de uma opinião pública inflamada, "surfaram a onda" através de uma decisão "super não".

O programa Supernanny tem sido um tema da ordem do dia que invadiu, de forma abrupta mas não surpreendente, a vida quotidiana da sociedade portuguesa. Várias instituições de defesa dos direitos das crianças vieram, em tons pintados de indignação, exigir a suspensão do programa como se estivéssemos no tempo da censura.

É claro que os tribunais, a reboque de uma opinião pública inflamada, "surfaram a onda" através de uma decisão "super não". Não teria sido melhor termos avançado para a discussão frontal, contextualizada na realidade existente, de um super problema de difícil resolução - a dificuldade concreta em educar as crianças?

Porque é disto que se trata! Efetivamente, para além da polémica, que contribuiria para um aumento significativo do êxito de audiência do canal televisivo em questão, importava, sobretudo, refletir sobre questões que constroem e reconstroem o nosso tecido social. Algo vai mal nas famílias portuguesas, e não é de agora.

Continuamos a assistir ao flagelo diário de horas excessivas de trabalho por parte dos adultos, traduzido em stress individual e familiar sobre as crianças. É sobre isto que temos de nos debruçar. Quantos pais ou educadores têm o privilégio de afirmar ter tempo ou condições para educar os seus educandos?

Podemos, também, e para variar um pouco, questionar o que fazem as tão prezadas instituições, que se insurgiram contra o programa, perante tal cenário. Provavelmente andaremos, todos, a violar os direitos das crianças, por exemplo, relativamente à dependência tecnológica, uma dependência sem substância e sem cura à vista.

Muitos outros programas poderiam ser alvo de idêntica discussão, mas, curiosamente, não foram, tais como os programas de culinária "adaptados" às crianças, fazendo delas autênticos "chefs", no entanto à custa de muita pressão que se traduz em ansiedade em nada benéfica para o seu desenvolvimento.

Nestes também assistimos, em direto, ao choro compulsivo de algumas delas quando não passam à etapa seguinte, ficando presas à ideia do "não sou capaz". Poderíamos, ainda, enumerar outros na busca de novos talentos.

Afinal todos estes programas são transmitidos em horário nobre, mas não acordaram tais mentes que agora se indignam. Será uma questão de estrato socioprofissional!? Urge discutir esta questão, e não, pura e simplesmente, remetê-la para os anais da censura.

O Reino Unido e a Suécia, onde o programa é também transmitido, não são Estados democráticos, não protegem os direitos das crian&ccedi

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