Opinião

Repitam comigo: pai, pátria, património….

24 mai 2018 00:00

Mas a verdade é que em Educação e Cultura não se pode somente “esperar por”; é essencial “ir ao encontro de”.

Há cerca de 2 meses recebemos no Mosteiro da Batalha alunos de uma escola próxima. Dos 16 alunos do 9.º ano, nenhum conhecia o Mosteiro. Dos 36 alunos do 8º ano, dois… já tinham entrado na Igreja. Mais uma vez fiquei preocupado.

Apesar do meio milhão de entradas em 2017, que o coloca como um dos monumentos mais visitados do país, a verdade é que só 25% se referem a visitantes portugueses. Estes números evidenciam um défice de fruição cultural por parte dos portugueses e um crónico desinteresse pelo Património e pela sua História. Reflectem falta de cultura, e, em última análise, de sentimento identitário.

Na Grã-Bretanha, por exemplo, verifica-se o oposto: cerca de 80% dos visitantes dos museus e monumentos são cidadãos britânicos e cerca de 40%, estudantes. Na tentativa de perceber o que poderá justificar algum desse défice cultural, confronto-me sempre com este número tão trágico: em 1970, 30% dos portugueses eram analfabetos. Por comparação, o último ano em que a Finlândia e a Suécia tiveram esse índice de analfabetismo foi em 1780, e a França e a Inglaterra em 1840…

Sempre poderemos questionar sobre o que andam as escolas e os seus professores a fazer, mas eu não o farei. Sou professor e conheço bem os constrangimentos e dificuldades do desafio constante de ensinar e educar.

E também sei que o problema de “falta de cultura” não pode ser imputada às escolas, muito menos aos professores e até mesmo aos programas escolares. Também conheço o que de ponto de vista cultural se faz por essas escolas além, tão extraordinário, grande parte em contexto extra-curricular, de absoluta resiliência, embora, inexplicavelmente, pouca atenção mereça da sociedade em geral, dos media em particular.

Mas a verdade é que em Educação e Cultura não se pode somente “esperar por”; é essencial “ir ao encontro d

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