Opinião

Pobreza e refugiados

2 abr 2017 00:00
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Orlando Fernandes

Todos lamentamos a situação em que se encontram estas três categorias de pessoas: desempregados, pobres e refugiados.

Neste sentimento louvável, assim tão generalizado, está subjacente a tendência para pensarmos que se trata de categorias homogéneas, quanto às suas causas, quanto às soluções para superar as situações em que tais pessoas se encontram.

Ora, esta perspectiva não me parece correcta, quer do ponto e vista ético quer do ponto de vista lógico.

A primeira grande questão que devemos colocar é se a causa dessas situações é injuntiva, decorrente de factores extrínsecos à própria pessoa, ou se radica numa opção do próprio, deliberada ou simplesmente negligente.

Outro aspecto que me parece de grande relevância é saber se tal pessoa, que se encontra numa das três referidas situações, está disposta a fazer tudo quanto se encontra ao seu alcance para se libertar dela e se esse seu desejo é efectivo e sério no sentido de voltar a ter uma vida normal e honesta de trabalho.

Também é preciso esclarecer se uma pessoa desfavorecida por alguma daquelas causas não está apenas interessada em alcançar certos benefícios que resultam da situação em que se encontra e cuja continuidade depende da manutenção da mesma.

Pense-se, por exemplo, naquelas pessoas que auferem rendimento social de inserção e que tudo fazem para manter a situação de pobreza que esteve na sua origem, desinteressando-se de procurar emprego ou exercer qualquer outra actividade útil à comunidade.

É que a concessão deste tipo de apoios, quando não é devidamente justificada e quando não sujeita o beneficiário ao chamado “tributo social” ou a outro tipo de deveres, acaba por tornar-se numa eficaz forma de manter a pobreza, diria mesmo de multiplicar o número de pobres, com as inerentes consequências de ordem social.

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*Jornalista