Opinião

Plágio? Tenham juízo

8 mar 2018 00:00
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Carlos Matos, presidente da Fade in

Na música, alguns acordes e algumas sequências são tão intuitivas que não é preciso ser um entendido na matéria para perceber que a seguir ao A vem o B e que a seguir vem C.

Os polícias da internet, os guardiões da verdade, os imaculados da moral e da ética, os doutos das matérias que diariamente se explanam nas redes sociais, cedo se prontificaram a acusar Diogo Piçarra de plágio.

É pena que estas pessoas, tão inteligentes que são, só se evidenciem pelas críticas negativas. Seria tão mais útil realmente aprender alguma coisa com eles. Enfim, que desperdício... Salve-se alguma honestidade intelectual com que, aqui e ali, sobre este caso, também me fui deparando.

Na música, alguns acordes e algumas sequências são tão intuitivas que não é preciso ser um entendido na matéria para perceber que a seguir ao A vem o B e que a seguir vem C. Não há como escapar, a não ser que se queira fazer algo dissonante e "difícil". E não é isso, por certo, que se espera num certame como o Festival da Canção.

Estas sequências expectáveis não podem ser consideradas plágio. Se assim fosse, o que diríamos do blues feito sempre a partir do mesmo par de acordes e quase sempre na mesma cadência? O que diríamos do rockabilly, fado, techno, dubstep, reggae e de mais um infindável rol de géneros musicais que têm características identitárias que se repetem, vezes sem conta, entre os seus mais ilustres representantes?

Infelizmente é muito mais fácil partir para a acusação, "fazer sangue", humilhar, desvalorizar, do que reflectir um pouco, perceber que nem tudo o que parece é. Falta muita ponderação e bom senso a esta gente.

Não há qualquer pudor em destruir quem quer que seja sem pensar que por detrás de alguém que faz algo que artisticamente não gostamos ou identificamos pode estar uma pessoa com bom âmago, bem intencionada, bem formada e, como é o caso, com atributos.

Goste-se ou não se goste. Ou vocês acham mesmo que o Diogo Piçarra andou em lojas rebuscadas de vinil refundido e "obscuro" à procura de uma qualquer cançoneta esquecida e que "ninguém" conhecesse para a plagiar e apresentar no Festival da Canção? Por amor da santa!

 

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