Opinião
Os parolos que nos governam
Portugal vive com uma gigantesca crise de liderança. Até na Antiguidade existiram líderes e estadistas superiores
Aparentemente terá existido uma situação de tal gravidade que alguns membros do nosso governo sentiram a enorme necessidade de intervir. O primeiro-ministro pegou no seu telemóvel e ligou para Cristiano Ronaldo, Jorge Jesus e Pedro Proença. Gostaria tanto que estes governantes tivessem sentido a mesma urgência após a tempestade Kristin, mas tal não aconteceu.
Isso despertou a minha curiosidade, tive de pesquisar qual seria a situação de tamanha relevância que obrigou esta gente a pensar que se passava algo mais sério do que a enorme tempestade que arrasou a zona centro. No entanto, apesar da imprensa e das televisões terem dedicado imensas horas seguidas durante dias e semanas, não consegui descobrir o que era realmente tão crítico que levasse à intervenção daqueles que tomam decisões para o presente e futuro da nossa nação.
Na minha modesta opinião, Portugal tem problemas mais graves do que uma pequena novela trágico-cómica que envolve uma birra de um dos maiores desportistas mundiais, mas com um narcisismo e um ego à escala planetária. Portugal vive com uma gigantesca crise de liderança. Até na Antiguidade existiram líderes e estadistas superiores aos que temos neste país. Tenho a certeza de que Ciro, o Grande, que reinou a Pérsia entre 559 e 530 a.C. teria muito ou tudo para ensinar àqueles que lideram este país no nosso século.
É muito difícil conviver com esta noção da realidade. Eu quero e gostava de ter melhores líderes, mas a verdade é que os mesmos são o reflexo de um país que tenta disfarçar um colossal problema de identidade. Enquanto os espanhóis se manifestam reiteradamente contra a crise da habitação, os pequenos, muito pequenos, portugueses perdem o seu tempo com um circo absolutamente degradante.
Atualmente somos um imenso país esquizofrénico de terceiro mundo governado por parolos que não sabem o que é ser estadista.