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Opinião

Vítor Ferreira* Voltar

00:00 - 10 Maio 2018
O teu “eu” em sociedade

O teu “eu” em sociedade

O exercício cívico e a intervenção social são tarefas complicadas. Elas requerem trabalho, atenção ao outro, ao “Eu” e ao futuro.

Muitas vezes ignoramos o nosso “Eu” no futuro e por isso incorremos em comportamentos que poderão prejudicar o ambiente e, consequentemente, a sobrevivência do nosso “Eu”, mas também dos nossos descendentes e comunidade (o “Outro”). Quando passamos um sinal vermelho nunca imaginamos que estaremos do lado de lá no futuro. 

Em Economia, as propostas filosóficas de Stuart Mill pretendiam afirmar o Homem e os seus direitos e liberdades fundamentais, acreditando que cada indivíduo se encontra numa procura pela maximização da sua felicidade individual.

Mas esta maximização da felicidade individual e o Utilitarismo de Mill (que é sobretudo intelectual e moral) foi apropriada pela sociedade utilitária, que brotou do capitalismo, como uma licença para a procura da maximização do bem-estar individual, sem olhar ao próximo e ao futuro, já que este levaria à maximização do bem-estar global da sociedade.

No limite, este raciocínio não seria matematicamente impossível, desde que os seres humanos fossem perfeitamente racionais e tivessem informação total sobre o presente e o futuro (não incorreriam em comportamentos que poderiam prejudicar o outro, a sociedade e o ambiente, porque isso diminuiria a sua função de utilidade inter-temporal, que é como quem diz: “vejo que no futuro isto vai voltar para me morder, por isso deixa-me lá fazer o que está correto para a minha felicidade futura”).

Como nós somos seres (muitas vezes) imediatistas, estas questões levam, por exemplo, à “tragédia dos comuns”, que pode ser descrita como um problema económico em que cada indivíduo tenta obter o maior retorno possível de um determinado recurso (usualmente um recurso partilhado).

Geralmente este recurso é facilmente acessível a todos os indivíduos. No fundo, a “tragédia dos comuns” ocorre quando as pessoas, ao procurarem o ganho pessoal, negligenciam o bem-estar da sociedade. A pesca ao largo das costas é um excelente exemplo da “tragédia dos comuns”.

Ao longo de centenas de anos, os pescadores acreditavam que os “bancos de pesca” eram quasi-infinitos. Contudo, à medida que a tecnologia evoluiu, os pescadores aumentaram a competição entre si, pescando cada vez mais peixe.

Quando o recurso se torna escasso (neste caso, espécies de peixe), o seu valor aumenta, criando incentivos para a sua sobreutilização.
Outra questão subjacente a este problema é que aqueles que utilizam abusivamente os recursos têm custos marginais inferiores aos indivíduos que não o fazem.

Assim, um pescador que sobrepesca terá maiores retornos e, da mesma forma, uma empresa que maximiza a utilização do seu ecossistema – poluindo – tem custos inferiores relativamente às empresas que não o fazem.

Esta ligação cria incentivos para um maior desrespeito, ou seja, se a maioria dos indivíduos utiliza o recurso excessivamente, logo isso gera um incentivo para o resto da população o fazer também (num país onde ninguém respeita o ambiente, a empresa que o faz está em desvantagem).

Esta dificuldade de projeção do “Eu” e do “Outro” torna mais complicado o exercício cívico, sendo que muitas vezes ele pode ser facilitado quando existe um ganho imediato subjacente, seja o aumento do valor de marca de uma empresa que apoia uma iniciativa, seja a possibilidade de contarmos aos outros que fizemos um ato solidário (aumentando a nossa “valia social”), seja simplesmente a satisfação do nosso sentido de dever pessoal.

Estas razões não são de todo despiciendas ou de evitar, porque o fim será o mesmo, ajudar o próximo e a sociedade. Mas é importante repetir esse comportamento, conseguir projetar o “Eu” e o “Outro”, já que, como dizia Aristóteles, a virtude moral é uma consequência do hábito.

Nós tornamo-nos aquilo que fazemos repetidamente, ou seja, tornamo-nos justos ao praticarmos atos justos. Mas talvez Thomas Jefferson ao afirmar “sempre que fazes uma coisa, age como o mundo inteiro estivesse a ver-te" pode levar a refletir sobre aquilo que é o nosso comportamento no mundo.

Por isso, na ***Asteriscos agimos sempre com os olhos do mundo em nós, repetindo ações em prol do bem-estar social e do futuro do nosso mundo, projetando o nosso “Eu” para fazermos um mundo melhor.

*Presidente do Conselho Fiscal da ***Asteriscos

O autor escreve segundo as regras do "Acordo Ortográfico de 1990"





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