Opinião

O Marachão

1 jun 2017 00:00
alvaro-romao
Álvaro Romão

Era uma borrão amarelo. Fluorescente.

Logo seguido, de muito perto, por um rosa. Passaram rápido. Borrões. Sonoros. Levantei a cabeça e acordei. Ainda vi, ao longe, as duas raparigas a conversar, enquanto corriam, pela alameda do Marachão. Uma vestida de rosa, outra de amarelo. Virei a cara e descobri uma jovem senhora a empurrar um carrinho de bebé, enquanto falava ao telemóvel.

Passara quase meia-hora a descansar num dos bancos do Marachão, de frente para o rio Liz. O fresco das árvores tinha ajudado à sonolência e ao descanso. O bruá das gentes a passear tinha-me embalado.

E sim, era verdade. Gostava do Marachão. A parte mais urbana do circuito da Polis. Ali entre a ponte do Bairro dos Anjos e a ponte da Nova Leiria (na verdade não sei o nome das pontes). Talvez a mais amada e proveitosa das obras públicas da cidade. O a9)))) já lá fez as Braçadeiras e as Joelheiras. A Porta também se abriu por lá. Na companhia do avião, do skate park, dos ringues, e agora também dos cafés fechados.

A qualquer hora do dia, e mesmo durante uma parte da noite, é ver gente que se passeia, que corre pelo circuito da Polis. A pé ou de bicicleta. Com carrinhos de bebé ou com cães pela trela. Pessoas sozinhas ou em companhia. Namorados de mãos dadas. Pares de Testemunhas de Jeová. Ou de Mórmons dos Santos dos Últimos Dias na suas habituais camisas brancas e o crachá identificativo. E o tagarelar. Portugueses. Brasileiros. Ucranianos (acho).

*Cineasta

Leia mais na edição impressa ou torne-se assinante para aceder à versão digital integral deste artigo.