Opinião

O Caminho

15 jul 2017 00:00
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Clara Leão, professora de dança

Vimo-nos algumas vezes perdidos para logo a seguir encontrar o que nunca supuséramos existir.

Na procura do caminho e no esforço que vamos fazendo para chegar aonde queremos, ou podemos, atropelamos muitas vezes a intenção primeira que nos serviu de guia e que ficou lá longe, na idade em que ainda só começávamos a imaginar o que esses dias poderiam vir ser; no tempo em que nos interrogávamos sem certezas nenhumas mas com a inabalável crença de que iríamos fazer mais e melhor, mais alto e mais forte, e tão longe quanto houvesse para andar, cientes de que saberíamos sempre descortinar no meio do nevoeiro todo que fizesse.

Começando a medo, mas fazendo de conta não o ter, vimo-nos algumas vezes perdidos para logo a seguir encontrar o que nunca supuséramos existir, corrigimos rotas navegando à vista, arriscámos escolhas e acreditámos nelas porque sim, e sentimo-nos orgulhosos e triunfantes quando alguém de muito maior saber do que o nosso nos aplaudiu.

Éramos então imortais, e felizes, e donos da vida toda, saboreando a viagem do navegador que vai certo da descoberta porque alguma coisa lhe diz que nasceu para descobrir.

Estávamos confiantes, seguríssimos do modo de estar no mundo, inteiros, livres, e agregadores de vontades.

*Professora de dança

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