Opinião

O apego

9 ago 2017 00:00

O apego é astuto. E humano e silencioso.

A gosma duma coisa parecida com amor que nunca sai das mãos nem com lixa, nem com psicologia. O apego apega-se quando estás a pedir um café pela última vez. Não nesse momento. Logo a seguir.

O apego é o fim da inteligência. É o medo da morte, o final da noite, o descoberto e irrepetível. O apego é saber que hoje foi muito bom e não confiar em amanhã. É querer-te mais do que foste, é balizar o tempo, congelar.

O apego é o fim. É repetir insanamente uma piada e rir outra vez com vontade de rir outra vez. O apego é a vida parar e é gostar muito de ti com ganas de te abraçar sempre da mesma maneira.

O apego é querer que não existas amanhã porque é impossível seres melhor do que hoje. O apego é falta de respeito, inútil, cabrão, saudosista, cancerígeno, irrigado, gozão, hormonal. É ires embora quando te fores embora, só que hoje.

É querer-te sempre assim, é egoísmo, infantil, birrento, fútil. É construir uma vida de hojes, é um vão, é um anda cá da mesma maneira que vieste, é diz isso outra vez, é fingir. É o Peter Pan, o Highlander, o orgasmo dum porco.

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