Opinião

O ambiente está estranho

10 out 2026 18:18

Por cá, longe de cogitações conspirativas sobre o controlo do mundo por meia-dúzia de carteiras, estranha-se o apertado rateamento das vacinas da gripe, e o abandono das matas

Com estas temperaturas, faz-se mais dolorosa a entrada no anual Ciclo da Morte. Mas os indícios apontando o desfecho anunciado, estão todos lá. No conforto da alma digital revelam-se catastróficos tempos, com tantas ignorantes novidades todos os dias destacadas.

A vida movida a IA facilita a reflexão, mas parece condenar à preguiça movimentos mais relevantes. Informação encomendada para resultados antecipados, parece ser o desígnio de tantos conteúdos gerados. E assim, o pós-guerra europeu - o conhecido “jardim” onde nos guardamos do mundo depois do miserável século XX - aproxima-se de forma cada vez mais evidente do seu destino anunciado, retomando velhos paradigmas: políticas identitárias e o regresso dos tambores da guerra.

Veremos nos monitores espalhados por este canto a sudoeste, como correrá a Campanha de Inverno. O turbilhão vai hoje tão grande que o custa enunciar, ou sequer reflectir, sobre algum dos seus prismas.

Os espanhóis vão finalmente acompanhar-nos e aceitar a república no próximo mês de novembro?! Os Estados Unidos conseguem sobreviver a tudo, ou vai o dólar finalmente soçobrar!? A (última) esperança da política europeia é o primeiro-ministro do Canadá?! O Brasil confirma-se como a melhor réplica de Portugal?! Todos os russos são estúpidos e nada têm de europeus?! Matar mouros continua a ser uma prática muito nossa, útil para variados fins e quase sempre dignificada?! Os chineses estão seguramente a preparar qualquer coisa?! O Mundial com Espanha e Marrocos sempre se confirma?!

A presença destes enormes debates nunca foi tão visível, com inúmeros novos agentes a influenciar ad hoc sobre economia, política e sociedade. A democratização do conhecimento seria um dos resultados espectáveis, mas a realidade oferece outro caminho, cada vez mais previsível e com resultados cada vez mais claros.

Por cá, longe de cogitações conspirativas sobre o controlo do mundo por meia-dúzia de carteiras, estranha-se o apertado rateamento das vacinas da gripe, e o abandono das matas, oito meses após a passagem da tempestade.