Opinião

Não vou escrever sobre os fogos…

16 jul 2017 00:00
antonio-frazao
António Frazão

Não, não vou escrever sobre os fogos.

Não, não vou escrever sobre os mortos, nem sobre as múltiplas outras perdas das populações do norte do distrito de Leiria. Também não escreverei sobre as perdas (menos dramáticas) de há 14 anos, na mesma zona.

Não vou escrever sobre os diagnósticos, as comissões nomeadas, os estudos feitos, os conselhos dados, os planos feitos para ultrapassar/limitar/controlar as condições que permitiram/favoreceram/tornaram possível os incêndios de há 14 anos e os mais recentes.

Não, não vou escrever sobre os culpados diretos ou indiretos, nem sobre os que por ação ou omissão poderiam ser responsabilizados pela catástrofe. Também não vou escrever sobre os muitos milhares de euros gastos para que o combate aos incêndios seja efetivo e funcione.

Não, não vou dizer que não funciona. Continuamos mais ou menos na mesma: fazem-se as mesmas asneiras; persiste-se nas lamentações sobre a desorganização da floresta; fazem-se promessas; chora-se; só os contratos dos meios técnicos, com aviões e helicópteros, são cada vez mais caros.

Mas não, não é sobre isto que quero escrever. Já se disseram e escreveram demasiadas asneiras e se choraram demasiadas lágrimas (mesmo por alguns que deviam ter vergonha em chorar ou sequer lamentar).

Queria apenas (a propósito) escrever duas ou três notas sobre: esquecimento, solidariedade e cidadania.

. Esquecimento. Não o esquecimento por parte dos políticos, mas o dos jornalistas e o de todos nós. É preciso que os políticos fiquem sem outra hipótese que não seja o investimento sério na prevenção consistente dos fogos, e nas necessárias reformas.

*Psicólogo clínico

Texto escrito de acordo com a nova ortografia

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