Opinião

Música | John Williams

10 jul 2026 07:42

Em O Dia da Revelação, a música de John Williams volta a ser essencial para traduzir o maravilhamento e mistério dessa coisa extraordinária, que é a possibilidade de seres de outros mundos já terem andado por cá

Chegou o verão e se há coisa que gosto de fazer nesta altura, é enfiar-me dentro de uma sala de cinema. Todas as épocas do ano são boas para se ir ao cinema, mas no meio desta vaga de calor, eis uma ótima medida para prevenir males maiores.

Um novo filme de Steven Spielberg é um acontecimento. Há realizadores assim, que quando estreiam os seus filmes, lá vamos nós a correr, independentemente das boas ou más críticas. Está em sala um novo filme de Woody Allen, Pedro Almodóvar, Francis Ford Coppola ou Martin Scorsese? Vamos ver. E mesmo que não sejam todos obras-primas, há sempre algo de genial a retirar do cinema desta ilustre gente.

E assim foi com o novo O Dia da Revelação, com Spielberg a regressar a um tema que lhe é muito querido: a vida extraterrestre. O regresso do realizador à ficção científica só podia ter música de John Williams, tal como acontece há 30 filmes! Esta dupla já nos proporcionou alguns dos melhores momentos que já vimos no cinema, e jamais esqueceremos as bandas sonoras de O Tubarão, Encontros Imediatos do Terceiro Grau, E.T. – O Extraterrestre, Salteadores da Arca Perdida, Jurassic Park, Império do Sol ou A Lista de Schindler.

Em O Dia da Revelação, a música de John Williams volta a ser essencial para traduzir o maravilhamento e mistério dessa coisa extraordinária, que é a possibilidade de seres de outros mundos já terem andado por cá, por cá, que é como quem diz, pelos Estados Unidos. Bem sabemos que extraterrestres, fins do mundo, chuvas de sapos, exorcistas, Donalds Trumps e outros fenómenos espetaculares, acontecem sempre primeiro na América.

Reza a lenda, ou uma story que vi no Instagram, que John Williams considerou a tarefa de compor a música de A Lista de Schindler tão exigente que chegou a dizer a Spielberg que este precisava de um compositor melhor. Steven Spielberg respondeu que conhecia compositores melhores, mas que “estavam todos mortos”. O certo é que Williams aceitou o desafio e hoje a banda-sonora de A Lista de Schindler é considerada uma das mais emocionantes da história do cinema.

Em O Dia da Revelação, não temos a profundidade do solo de violino de Itzhak Perlman nesse dramático A Lista de Schindler, mas temos outros grandes momentos musicais de John Williams, que aos 94 anos não para de nos emocionar.