Opinião

Memórias base

20 abr 2018 00:00
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Mariana Violante, activista

Para mim, o que era mesmo importante era acabar de vez com a fome e a pobreza, e nunca ligava uma coisa à outra - sim eu sei… em que mundo é que eu vivia, certo?

Sabem aqueles momentos definidores que no Divertidamente, da Disney, são representados como umas bolas muito brilhantes? Aparentemente chamam-se memórias base.

Sempre achei essa representação muito bem sacada, porque cada vez que me lembro de alguns desses momentos, parece mesmo que algo se acendeu cá dentro. Hoje quero partilhar o momento em que a minha visão sobre os Direitos Humanos (DH) mudou.

Ainda me lembro de achar essa história dos DH uma treta meio anacrónica - achava que era um não assunto. O Direito Internacional tinha resolvido isso há muito tempo e, portanto, toda a gente era abrangida por esses direitos.

Para mim, o que era mesmo importante era acabar de vez com a fome e a pobreza, e nunca ligava uma coisa à outra - sim eu sei… em que mundo é que eu vivia, certo?

Quando decidi estudar em Inglaterra, aprofundar conhecimentos, levei um choque de realidade de tal ordem que ainda não me recompus. E é por isso que o momento em que percebi que isto tinha tudo a ver com DH foi um desses momentos definidores, um bola bem incandescente no quartel general das minhas memórias base.

Foi a ler um livro que mudou a minha vida, quando já tinha perdido toda a fé na Humanidade. Havia uma parte sobre a Amnistia Internacional e as denúncias que tinha feito a propósito dos milhares de mortos e desaparecidos do regime de Pinochet e, na verdade, um pouco em toda a América Latina, numa altura em que o mundo ainda achava (incrivelmente ainda acha…) que a Europa e os Estados Unidos da América são os legítimos polícias do mundo.

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