Opinião

Make Feira de Maio great again

14 jun 2017 00:00
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Sérgio Felizardo, Editor-in-Chief Vice Portugal

É-me cada vez mais difícil ir a Leiria. Se muitas vezes era por preguiça, ultimamente a incompatibilidade do trabalho com a oportunidade de ir a casa tem sido quase total.

Ainda assim, no último ano e picos, em duas das vezes que fui apanhei a Feira de Maio. Um gajo tem sempre a feira na memória. E tem sempre uma ideia idílica da feira, ainda que de idílico aquilo nunca tenha tido nada.

Quando era puto, a feira era, aliás, um sítio que implicava algum perigo. Porrada não faltava, manfios prontos a roubar-te as moedas dos carrinhos de choque também não, era uma espécie de faroeste com néons, carrocéis, farturas e cenas de engate.

E isso era bom. Dava-lhe substância. É por isso que faz parte do nosso imaginário enquanto memória feliz, da infância à adolescência. Imponente, de dimensão considerável e impacto social.

Quando lá voltei em 2016, seguramente que não metia ali os pés há uns 20 anos. Foi bom. Estava diferente, se calhar mais pequena - ou uma pessoa quando é mais pequena, tudo lhe parece maior, não sei.

Não me pareceu que tivesse perdido o tal impacto. Pareceu-me suficientemente adaptada a uma nova realidade e, tal como a cidade, mais urbana. Este ano, foi uma desilusão. Ou foi tudo feito às três pancadas… ou foi mesmo tudo feito às três pancadas.

Sem um fio condutor, vazia, despida de alma, atirada para ali só porque sim, sem respeito pela memória dos leirienses… ou melhor, sem respeito pelo que os leirienses dela guardam na memória. Só aquela entrada…

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*Editor-in-chief