Opinião

Liberdade de expressão

28 jul 2017 00:00
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Margarida Varela *

Em entrevista ao semanário Expresso Gentil Martins fez afirmações claramente homofóbicas tendo declarado: “sou completamente contra homossexuais”.

E acrescentou ainda que ser homossexual “é uma anomalia, um desvio de personalidade. Como os sadomasoquistas ou as pessoas que se mutilam”.

Distinguir as pessoas em função da sua vida sexual/afectiva é algo que não faz qualquer sentido. A sexualidade e a afectividade são duas componentes certamente importantes, mas não exclusivas, intrínsecas ao ser humano.

Recordo, a este propósito, uma entrevista dada recentemente por Ney Matogrosso, que a uma pergunta sobre a sua sexualidade respondeu: “Eu sou um ser humano, uma pessoa. O que faço com a minha sexualidade não é a causa mais importante na minha vida. Isso é apenas um aspecto …”

E acrescentou ainda: “sei que sou rotulado como homossexual. Mas são as pessoas que me rotulam assim. Eu não me rotulo dessa maneira … Sou um ser humano normal, como qualquer outro”. E é assim que eu entendo a questão.

Não faz qualquer sentido distinguir as pessoas em função da sua sexualidade, que apenas ao próprio diz respeito e sobre a qual ninguém tem o direito de emitir juízos de valor. Por isto, muitas vezes me interrogo se os movimentos tipo “Orgulho Gay” se justificam…

Voltando à entrevista de Gentil Martins, o que a torna particularmente grave é o facto de ele ser médico e de as suas afirmações poderem ser interpretadas como tendo rigor científico. E foi isto que aconteceu, como resulta das muitas opiniões já expressas nas redes sociais.

Mas os disparates proferidos por Gentil Martins não se limitaram às considerações que fez sobre os homossexuais.

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* Advogada