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16 nov 2017 00:00
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Luís Mourão, dramaturgo

Na questão catalã, a todas as contradições e irracionalidades de ambas as partes sucede agora, depois do referendo, da violência incontrolada do governo de Madrid e do caudal de eventos que se lhes seguem, mais do que os arranjos partidários para as eleições de Dezembro ou uma avisada reflexão sobre o que vai acontecer depois, sucede agora, dizia, um fluxo contínuo de intimidações e permanente menosprezo por qualquer posição contrária.

Não é de admirar portanto que “El País” tenha publicado no domingo passado um editorial indignado contra o uso de adjectivos pejorativos como “fascista” ou “franquista” para classificar a errática actuação do governo espanhol (não Espanha, diga-se já agora).

“Franco ha muerto: Ningún ataque de retórica guerracivilista justifica atribuir a España comportamientos fascistas” intitula-se.

É um pedaço de prosa particularmente interessante porque insiste numa leitura cega da realidade e comenta parte, do que foi (e é) dito, esgrimindo só argumentos retóricos medíocres – por exemplo, dizer que a destituição de um governo e de um parlamento democraticamente eleitos, a prisão de grande parte dos seus membros, o controlo total das suas forças de polícia e segurança, o cerco destruidor ao seu tecido produtivo são comportamentos “franquistas”, “fascistas” ou “protofascistas” não é, como quer crer o “El País”, o mesmo que dizer que a chanceler alemã é “nazi”.

 

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