Editorial

Heróis deste tempo

17 abr 2020 23:23

Entre os muitos grupos e movimentos informais que se formaram especificamente para esta luta e as instituições de solidariedade que já trabalhavam na minimização de problemas sociais, são tantos os bons exemplos, que seria impossível enumerá-los e injusto referir apenas alguns.

Como referiu João Lázaro em entrevista na última edição deste jornal, “no meio disto tudo, o melhor e o pior das pessoas vêm ao de cima”.

De facto, as palavras daquele psicólogo são comprovadas pelas notícias que nos vão chegando no dia-a-dia, mostrando toda a diversidade da natureza humana, onde cabem o egoísmo e a solidariedade, a irresponsabilidade e o civismo, a ganância e o humanismo.

São as duas faces de uma moeda que é o ser humano, que desde sempre foi obrigado a uma luta interior entre o bem e o mal, no fundo a grande batalha da nossa civilização.

Por estes dias, felizmente, o melhor que habita as pessoas tem-se mostrado com firmeza e com toda a sua grandiosidade, sendo, sem dúvida, um forte sinal de esperança para o nosso futuro enquanto comunidade.

A verdade é que se há alguns ‘chico-espertos’ que, como já foi referido neste espaço, tentam tirar proveito da situação dramática em que vivemos, serão muitos mais aqueles que, de forma abnegada, têm cerrado fileiras na luta contra este inimigo invisível que é a Covid-19, mas também contra outros que se vêem melhor e começam a ganhar expressão com o decorrer do tempo: a fome, a miséria, a pobreza, a solidão.

Entre os muitos grupos e movimentos informais que se formaram especificamente para esta luta e as instituições de solidariedade que já trabalhavam na minimização de problemas sociais, são tantos os bons exemplos, que seria impossível enumerá-los e injusto referir apenas alguns.

No fundo, como numa guerra clássica, a probabilidade de vencer aumenta com o tamanho e a organização do exército, que neste caso vai engrossando de dia para dia, seja com voluntários para produzir máscaras, seja com empresas e instituições de ensino superior a desenvolverem ventiladores e a fabricarem viseiras, seja ainda com quem acode aos mais frágeis e desprotegidos com comida, medicação e outras formas de apoio.

Se na frente da batalha, médicos, enfermeiros, técnicos de saúde e bombeiros têm sido incansáveis a tratar e a apoiar quem cai na armadilha do vírus, e na rectaguarda são milhares os trabalhadores que não deixam que nada falte a quem está confinado, em alguns casos correndo fortes riscos de infecção, há também que realçar o papel de todos os voluntários que abdicam da segurança do retiro caseiro para apoiar os mais desamparados.

Tal como os médicos, os caixas de supermercado, ou quem atende nas farmácias, também são heróis deste tempo todos os que se têm mobilizado para minorar os problemas que a pandemia trouxe à nossa sociedade.

E são muitos…!

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