Opinião

Halloween – 5, Pão com Deus - 0

16 nov 2018 00:00

Em Portugal, por exemplo, só na década de 70 do século XX se alcançariam os mesmos níveis da Finlândia e da Suécia, desse tempo.

A tese desta minha crónica é a de que as coisas são, por vezes, bem mais simples do que parecem. Quando em meados do século XVIII os países nórdicos, protestantes, assumiram que a palavra de Deus, a que vem na Bíblia, deveria ser traduzida e lida por todos, acabou-se o analfabetismo em pouco mais que o tempo de uma geração.

Em Portugal, por exemplo, só na década de 70 do século XX se alcançariam os mesmos níveis da Finlândia e da Suécia, desse tempo.

Na realidade, o saber ler e escrever - e a cultura por extensão - nunca foi tida para as elites em Portugal como de grande conveniência, e o anseio de alguns pela sua universalidade sempre foi olhado com desconfiança.

Sinónimo, também, que as elites em Portugal durante séculos foram elites de herança e não de mérito. Quem ascende socialmente por mérito compreende a mobilidade social, integra-a, deseja-a e aspira à cultura; em contrapartida, as outras elites, as que são apenas herdadoras dos méritos alheios e não querem abrir mão deles, temem quase sempre os novos tempos e a democratização da cultura e da própria escolaridade. Receiam o saber, não lhe dão valor e tendem a sonegá-lo.

E este é, por conseguinte, um exemplo da inércia. Mas sabemos, também, que é possível ter “sucessos” na educação de gerações inteiras, rápida eficazmente quando há um projeto consistente, bem estruturado e… repressivo.

O Nazismo na Alemanha, o Estalinismo na União Soviética e o Maoismo na China, por exemplo, no espaço de uma geração moldaram uma juventude aos seus desígnios totalitários. Adolescentes idolatrariam o seu Führer ao ponto de delatarem os seus próprios pais às autoridades e dariam a vida por ele até ao último dia da tomada de Berlim, pelas tropas soviéticas.

(O rosto desses jovens, escutando H

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