Opinião

Há vida para lá da escola

1 mar 2018 00:00
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João Nazário, director do Jornal de Leiria

Repetindo, há vida para lá da escola e, por outro lado, quem quiser ser bom naquilo que vier a fazer é melhor que tenha essa vida.

Apesar de Jorge Sampaio negar as palavras que lhe foram atribuídas e que, supostamente, terá proferido num discurso enquanto Presidente da República, a verdade é que a máxima “há vida para lá do défice” passou a ter lugar reservado no manual da argumentação política, sendo adaptada recorrentemente para outras áreas.

No fundo, a origem das palavras pouco interessa se comparada com o seu sentido, que mais não espelhava do que uma preocupação quanto ao perigo dos fundamentalismos, naquele caso, económico-financeiros.

Hoje, usa-se aqui neste espaço esse, já, chavão para dizer que há vida para lá da escola, tão assustadores são os relatos de jovens que se desequilibraram emocionalmente face à pressão para obterem bons resultados, para lutarem por um certo lugar numa qualquer universidade ou para serem os melhores e conseguirem o emprego desejado, por eles ou pelos pais.

Repetindo, há vida para lá da escola e, por outro lado, quem quiser ser bom naquilo que vier a fazer é melhor que tenha essa vida.

O programa de alimentação saudável, destinado aos alunos do pré-escolar e do 1.º ciclo, que a Câmara de Leiria apresentou a semana passada, só pode ser elogiado e recebido de braços abertos.

Além da forma, que parece bem conseguida ao envolver importantes instituições como a Escola Profissional de Leiria, a Escola Superior de Saúde e o Centro Hospitalar S. Francisco, há principalmente que relevar os objectivos do programa e o sinal que é dado à comunidade.

De facto, num tempo em que cerca de 30% das crianças portuguesas têm excesso de peso e quase 13% são obesas, valores que colocam o nosso País entre os mais problemáticos da Europa em termos de obesidade infantil, é urgente que se tomem medidas para controlar esse autêntico flagelo.

Conhecendo-se as possíveis consequências do problema, que segundo alguns estudos poderá mesmo levar à diminuição da esperança média de vida em Portugal, não se percebe como se continua a fazer tão pouco nesta matéria, seja por parte dos pais seja do Governo, continuando-se a ver filas enormes para entrar nos restaurantes de fast food, máquinas de venda de doces e refrigerantes disseminadas por tudo quanto é sítio e publicidade sem restrições a produtos altamente calóricos.

Algo de maior transversalidade terá que ser feito no País, mas enquanto isso não acontece o programa da Câmara de Leiria é um passo dado no bom caminho.

Inaugurado há uma década, o Centro de Negócios de Ansião revelou-se uma boa aposta para ajudar a captar e a fixar empresas naquele concelho, que, apesar de não distar muito da costa, sofre de alguns sintomas de interioridade.

A verdade é que Ansião tem perdido população, mas num ritmo muito menor que outros concelhos do interior dos distritos de Leiria e Coimbra, não sendo de desvalorizar o papel que o Parque Empresarial do Camporês tem tido nessa resistência, com as suas 31 empresas e 500 postos de trabalho.

Para a atractividade do parque, entre outros factores, contribuirá em larga medida o Centro de Negócios com todas as valências que oferece. Sem dúvida, um investimento com retorno que merece ser olhado como exemplo por outros municípios. 

*Director