Opinião

Grande obra

29 mar 2018 00:00
carlos-martins
Carlos Martins

A obra faz-se fazendo-se.

Uma expressão carismática semi-carente, provavelmente devido a episódios que ocorreram na infância, em que tudo o que é dito vem duma necessidade comilona de ser aceite. Observa-se, com alguma facilidade, que toda a parafernália adolescente é um estado de espírito permanente e funciona como um boomerang infinito que aponta para a sua verdade e simultaneamente para o seu oposto, sem desfase quase nenhum.

Anula-se manifestando a sua desvontade, e assim existe com a maior das opacidades. Viscoso. Mete-se o ego e entretém-se a vida com um buraco tão grande que não se vê a abertura, nem que é um buraco.

A obra é prioritária e deseja, quer, almeja, não existe portanto, é um isco coberto de imitações e repetições de procedimentos testados, comprovados e inúteis porque doutrem. A obra é uma espantosa fachada, algo que não se sabe bem onde começou, adivinha-se que na aceitação paterna mas não se sabe, e todo o tempo que resta serve ou deve servir, para desmontar os azulejos alheios e mostrar a carne viva e assustada que, ao frio, merece ser vista, experienciada e tratada como lhe acontecer.

A obra faz-se fazendo-se. Sem uma ideia clara da sua razão de ser, é um tique velho, demasiado velho, igual aos tiques dos outros, numa plataforma comum onde só cabe o que está escrito por pessoas que souberam o guião da maneira mais árdua, mais solitária, mais viva.

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