Opinião

Fora da caixa, mas em ambiente controlado

24 nov 2017 00:00

porque muito se gosta do escárnio, do maldizer e da asneira se não for em nossa casa, sobre a nossa pessoa e para os nossos ouvidos puros, pudicos e virgens, incapazes de semelhantes vilezas sobre os nossos semelhantes

e então era assim: génios claro, claro que sim, a escrever, a pensar, a dizer, a criar, a inventar, a jogar, a pular, a representar, a fazer qualquer coisa extraordinária que o mais comum dos mortais não consegue fazer daquela maneira, assim, como foi feita pelo génio, aquele que aprendemos a amar, mesmo que acabemos a odiar, mas que aprendemos primeiro a amar, por vezes nem tanto por aquilo que fez, por aquilo que conhecemos do que fez, mas por aquilo que alguém disse que fez e da sua importância e que a comunicação social elevou à potencia, às vezes até do mal, porque os génios tombam de um lado para o outro, bastando, para tal, exercitar o seu direito opinativo como qualquer um de nós, mas não o podendo fazer porque é génio e esse não se prende em articulações mundanas estúpidas que só interessam aos idiotas que não têm a genialidade da criação à porta de entrada, e então o génio não pode dizer de ninguém que é um metafísico da meia-foda, muito menos se o metafísico for o Milan Kundera no auge da sua glorificação graças a A Insustentável Leveza do Ser, mesmo que o aforismo parta da língua solta de António Lobo Antunes porque o génio tem de ser respeitoso e impoluto, domesticado, ou quanto muito, exercitar as suas verve irrascível e maldisposta em casa alheia porque muito se gosta do escárnio, do maldizer e da asneira se não for em nossa casa, sobre a nossa pessoa e para os nossos ouvidos puros, pudicos e virgens, incapazes de semelhantes vilezas sobre os nossos semelhantes, a não ser que sejam do clube errado, do partido errado, do sexo errado, que prefiram a cor errada, ou nos tenham traído e colocado um belo e pouco  

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