Opinião

Elogio da estupidez*

16 set 2019 00:00
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Nuno Reis, professor e investigador

Alguns casos desta maleita são bem conhecidos: as crónicas declarações de Trump, cheias de inverdades, incorreções e soberba - indo ao ponto de desenhar uma linha num mapa meteorológico só para não reconhecer um erro.

Com as temperaturas ainda altas, vemos que o Verão não nos abandonou ainda. Vale, por isso, a pena celebrar o espírito veranil com um jogo ao jeito dos passatempos para fazer na praia.

A minha proposta para hoje é decifrar o ponto em comum nas seguintes frases: “Gostaria de dar os parabéns à Polónia [pelo 80.º aniversário do início da Segunda Guerra Mundial]. É um grande país, com ótimas pessoas.” – Donald Trump.

“Os Beatles eram semi-analfabetos em música. Não sabiam nem tocar violão. Quem compôs as canções [dos Beatles] foi o Theodor Adorno.” – Olavo de Carvalho.

“Por regra, havia humanidade no modo como as penas eram impostas pela Inquisição.” – Gonçalo Portocarrero de Almada.

Para poupar o leitor a virar o jornal de pernas para o ar e procurar as soluções em letras pequenas, eu digo já a resposta. O ponto em comum é a estupidez, seja como origem ou consequência das afirmações.

Alguns casos desta maleita são bem conhecidos: as crónicas declarações de Trump, cheias de inverdades, incorreções e soberba - indo ao ponto de desenhar uma linha num mapa meteorológico só para não reconhecer um erro.

As declarações sobre a Polónia revelam apenas uma falta de conhecimento e de cultura que não seria tolerada a qualquer aluno da escola primária, mas que é corriqueira no presidente dos EUA.

A situação é semelhante em Olavo de Carvalho – considerado mentor e ideólogo de Bolsonaro. O “filósofo” acusa os Beatles e outras bandas rock de “satanismo” nas suas letras, no que revela (além de mau gosto musical) uma visão próxima da Idade Média e da Inquisição.

Inquisição, essa simpática instituição que u

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