Opinião

Educação é poder

18 jul 2016 00:00
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Mariana Lopes

Ensinam-nos tanto nas escolas, excetuando talvez o porquê de tanto se ensinar.

A educação tem um propósito camuflado, tímido e mudo, que só dá a cara a alguns, e que é talvez o maior de todos os fins: a capacidade de usar o nosso próprio intelecto. Parece simples e muitos são os que acham fazê-lo, mas tal feito é mais raro do que aquilo que se publicita.

A pedagogia tem vida ativa desde o tempo dos antigos, e sem ela certamente que, de uma forma mais ou menos literal, este planeta celeste há muito se tinha desmanchado. Falo aqui de uma capacidade de questionar e de contornar o trivial, ao invés de se aprovar sem oscilação o que o do lado diz ou faz. E isto é escasso meus caros, muito escasso.

Quando, perante uma afirmação de qualquer espécie, não se tem quaisquer conhecimentos acerca do conteúdo, das duas uma: ou se aceita o que nos é ditado, ou se tenta contrapor o assunto com palavras que tremelicam com o peso da ignorância que carregam às costas, e neste último caso mais vale não piar. Assim ficamos e assim vamos andando. E esta é uma terrível fraqueza.

Há que questionar, há que ser mais alerta. E não falo aqui em questionar somente a vizinha que tem a quarta classe, ou o avô que não sabe ler, falo em ir mais longe e questionar quem desenha a política e quem mapeia o jornalismo, quem dá aulas e quem arrecada o nosso dinheiro em bancos, quem escreve livros e quem escreve ocasionalmente colunas em jornais, como eu. É preciso perguntar e duvidar. Só assim estamos mais perto de moldar a nossa vida sem deixar que o façam por nós.

As matérias raramente nos são ensinadas com paixão, e assim torna-se difícil encontrar algum interesse e utilidade nelas. Passam-nos ao lado porque a maioria dos docentes em Portugal não ensina a mais importante lição de todas. Educação é ter a capacidade para discordar com justificação, ou concordando, perceber o porquê de o fazer. É ser curioso e interessado. É ter poder e é ser gente.